A terceira temporada do programa Conexão Segura, apresentado por Diego Biscaia, discutiu a transformação dos ambientes corporativos diante do avanço do trabalho híbrido, da inteligência artificial, da digitalização de processos e da necessidade de integração entre tecnologia e negócios. Com a participação de Felipe Abreu, Kleber Dalcico, Rogério Kussano, Leo Yamanaka e Guilherme Ramos, o programa analisou como o escritório do futuro deixa de ser apenas um espaço físico de execução para assumir papel central na colaboração, na cultura organizacional e na experiência dos profissionais.
A mudança ocorre em um momento em que empresas de diferentes setores revisam seus modelos de trabalho após a pandemia. O retorno parcial ao presencial, a consolidação do modelo híbrido e a necessidade de manter equipes conectadas fizeram com que os escritórios passassem por um processo de ressignificação, com mais foco em convivência, tecnologia embarcada e uso estratégico dos espaços.
“O escritório do futuro, ele tem que ser um hub de conexão entre as pessoas”, afirma Felipe Abreu.
Trabalho híbrido exige confiança, cultura e infraestrutura
Na avaliação dos participantes, o trabalho híbrido se consolidou como uma realidade, mas exige das empresas uma revisão de cultura, liderança e infraestrutura. Felipe Abreu destacou que o modelo totalmente remoto pode reduzir a troca de experiências, enfraquecer relações interpessoais e dificultar a construção do senso de pertencimento dentro das organizações.
Nesse cenário, o presencial volta a ser valorizado não como imposição, mas como instrumento de integração. A ida ao escritório passa a ter função mais clara: aproximar pessoas, facilitar conversas, promover aprendizados e fortalecer a cultura corporativa em um ambiente no qual flexibilidade e confiança precisam caminhar juntas.
“E hoje eu vejo que grandes organizações têm tentado trazer as pessoas pro escritório para promover maior a integração, maior troca de informações, facilitar o dia a dia”, observa Felipe Abreu.
TI deixa de ser suporte e passa a integrar o negócio
A tecnologia aparece como base para sustentar esse novo modelo de trabalho. Para Kleber Dalcico, a área de TI não pode mais ser vista apenas como uma estrutura de suporte, porque o funcionamento do negócio depende diretamente da disponibilidade de sistemas, infraestrutura, conectividade e segurança.
Essa leitura reforça a ideia de tecnologia invisível: quanto melhor a estrutura, menos o usuário percebe sua complexidade. O papel da TI, nesse contexto, é garantir que gestores e equipes consigam trabalhar sem interrupções, com ferramentas funcionando, conectividade estável e recursos adequados para reuniões, colaboração e execução de tarefas.
“É fundamental que a área de TI esteja conectada ao negócio. Ela não tem mais como ser apenas uma área de suporte”, destaca Kleber Dalcico.
Experiência do usuário ganha peso no novo escritório
O avanço dos novos escritórios também passa pela experiência do usuário. Empresas que estimulam o retorno ao presencial precisam oferecer ambientes capazes de competir com a praticidade do home office, evitando que o colaborador encontre mais obstáculos no escritório do que em casa.
Para Kleber, espaços colaborativos, áreas de convivência, salas de reunião e ambientes de criatividade só funcionam quando há clareza sobre o uso e tecnologia adequada para apoiar a rotina. Sem Wi-Fi estável, tomadas, telas, recursos de áudio e vídeo e regras bem definidas, esses espaços tendem a ser subutilizados.
“A tecnologia tem que ser uma ferramenta e essa ferramenta tem que funcionar”, resume Kleber Dalcico.
Inteligência artificial acelera produtividade nos ambientes corporativos
A inteligência artificial foi apontada como uma das principais forças de transformação dos escritórios inteligentes. Rogério Kussano afirmou que a democratização das plataformas de IA acelerou o acesso de executivos, equipes corporativas e profissionais de diferentes áreas a recursos que antes estavam restritos a estruturas mais especializadas.
Entre os exemplos citados estão reserva automática de salas, identificação de melhor horário para reuniões, transcrição de encontros, geração de resumos, definição de planos de ação e indicação de responsáveis por tarefas. Esses recursos reduzem esforço operacional e ampliam a capacidade de organização dos times, especialmente em ambientes híbridos e multidisciplinares.
“A utilização de IA nos ambientes de trabalho, nos workspaces, hoje tem sido de extrema extrema utilização e ajuda”, avalia Rogério Kussano.
Governança e segurança entram no centro da estratégia
A adoção de novas tecnologias também amplia a necessidade de governança, segurança e controle. Para Rogério Kussano, a tecnologia viabiliza produtividade, novos negócios e ambientes mais saudáveis, mas também exige atenção a riscos de cybersegurança, uso inadequado de dados e modelos que podem comprometer a operação.
No cooperativismo, Leo Yamanaka destacou que as áreas de negócio já utilizam ferramentas de inteligência artificial, low code e soluções abertas para resolver problemas internos com rapidez. Nesse contexto, a TI precisa atuar com governança, segurança, controle de acesso e backup quando essas soluções passam a ter uso corporativo, sem impedir a inovação.
“Cada vez mais, eu vejo que o papel da TI é ter governança, ter um pouco de controle ali e nunca barrar a inovação”, aponta Leo Yamanaka.
Cooperativismo usa tecnologia para simplificar processos
No bloco dedicado ao cooperativismo, Guilherme Ramos afirmou que a missão da tecnologia é simplificar a rotina de cooperados, colaboradores e áreas internas. A visão apresentada no programa reforça que a inovação precisa ser aplicada sem gerar complexidade, morosidade ou barreiras para quem está na ponta da operação.
Leo Yamanaka complementou que a TI deve estar conectada diretamente ao negócio, funcionando como parceira estratégica das áreas. Na estrutura apresentada, a tecnologia passa por pilares como arquitetura, infraestrutura, cybersegurança, sistemas e dados, com analistas de negócio responsáveis por traduzir demandas das áreas em requisitos técnicos e soluções aplicáveis.
“A nossa principal papel é simplificar os processos, trazer a tecnologia de forma que seja inovadora, só que sem complexidade, sem morosidade”, explica Guilherme Ramos.
Novo escritório combina produtividade, cultura e experiência
A discussão também mostrou que não existe um único modelo de escritório aplicável a todas as empresas. Indústrias, escritórios de advocacia, cooperativas e empresas de serviços possuem necessidades diferentes, o que exige alinhamento entre espaço físico, cultura organizacional, perfil dos colaboradores, segurança, conectividade e objetivos de negócio.
O escritório do futuro, nesse contexto, tende a ser menos definido por mesas fixas e mais por experiências de colaboração, integração e produtividade. A tecnologia deixa de ser apenas infraestrutura e passa a compor a estratégia corporativa, conectando pessoas, dados, IA, governança e cultura em um ambiente capaz de sustentar novos modelos de trabalho.
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