
Formigas trabalham em ninhos há mais de 100 milhões de anos. Sem um líder central, se dividem em três grupos especializados, com funções que variam conforme o tempo e a necessidade da colônia: rainha, operárias e machos, cada um desenvolvendo um papel para garantir a sobrevivência do grupo e o equilíbrio dos ecossistemas.
A rainha é uma fêmea fértil que inicialmente possui asas mas que as perde durante o voo nupcial, ela é definida de acordo com condições biológicas e tem como função única a reprodução, sendo responsável por colocar os ovos que dão origem a todos os indivíduos da colônia.
Maria Santina de Castro Morini, pesquisadora e professora de pós-graduação na Universidade de Mogi das Cruzes, em São Paulo, explica que a abelha se torna rainha, principalmente, por condições biológicas durante o desenvolvimento.
Segundo ela, determinadas larvas recebem cuidados especiais na colônia e elas se tornarão “gines”, que serão futuras rainhas, após o acasalamento.
Neste caso, elas terão ovários funcionais, serão maiores e terão asas. As asas na fase reprodutiva são fundamentais para o processo de acasalamento, que é feito com vários machos de outras colônias. Após, o acasalamento a rainha corta as asas e funda um novo formigueiro.
Duelo de rainhas
Porém, nem sempre há uma por colônia. Segundo pesquisa da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP), realizada na Ilha do Cardoso, em São Paulo, algumas populações de formigas possuem de uma a 12 rainhas.
Além disso, o estudo ainda diz que elas duelam entre si por meio de antenas e mandíbulas, no qual a vencedora se torna a rainha-alfa.
As operárias também são fêmeas, porém não se reproduzem e não possuem asas. Elas são responsáveis pela maior parte das atividades do ninho como cuidar das larvas, buscar alimento, construir e defender a colônia.
Em algumas espécies, há também os soldados, que são operárias maiores e mais especializadas na defesa.
Já os machos tem função exclusivamente reprodutiva e surgem em períodos específicos para o voo nupcial. Após o acasalamento, morrem pouco tempo depois.
A pesquisadora ainda afirma que as substâncias químicas são produzidas por glândulas, como por exemplo, as mandibulares.
Assim, constroem e expandem o formigueiro com túneis e câmaras cavados pelas mandíbulas.
De acordo com Maria Santina, é possível verificar a escavação, pois as partículas de solo são depositadas fora do ninho, existindo neste processo, uma forte interação com o meio ambiente, em fatores como umidade do solo e temperatura.
A linguagem química, dessa forma, contribui para construção e expansão do formigueiro. Segundo Ricardo, a construção acontece por auto-organização em que cada operária segue regras simples, baseadas em estímulos locais, como cavar ou depositar terra onde já há material acumulado.
Ele ainda ressalta que o formato final do ninho não é aleatório, sendo dependente do ambiente, do tamanho da colônia e até as características das próprias formigas, circunstâncias que também afetam o tempo de duração, que pode durar de 1 a mais de 10 anos.
No Brasil, as espécies de formigas podem ter diversas características.
Uma pesquisa da Universidade Estadual Paulista (Unesp) constata que a espécie Atta sexdens (formiga-cortadeira) possui divisão funcional de câmaras, com controle de temperatura e de ventilação. Além disso, se alimentam de fungos e podem ter milhares de operárias.
Por outro lado, especialistas observam que há espécies arborícolas que constroem seus ninhos suspensos na vegetação, utilizando fibras vegetais e folhas das árvores.
De forma geral, as formigas contribuem para o meio ambiente pois, ao escavar o solo, ajudam a melhorar sua estrutura, ao aumentar a entrada de ar, a infiltração de água e a redistribuição de nutrientes.
Elas também ajudam na dispersão de sementes, transportando-as para dentro do ninho, local em que ficam protegidas, fazendo com que possua maiores chances de germinar, além de ajudarem a controlar populações de outros organismos, tendo em vista que atuam como predadoras ou competidoras.
*Estagiária sob supervisão
