Quando alguém ouve falar no maior caminhão do mundo, é difícil imaginar a escala real dessa máquina. O BelAZ 75710 mede mais de 20 metros, pesa até 810 toneladas com carga e projetado para operar em minas gigantes, onde consumo, potência e tamanho seguem uma lógica muito diferente da que conhecemos nas estradas comuns.
Quais são as dimensões do maior caminhão do mundo?
O BelAZ 75710 mede 20,6 metros de comprimento, 9,87 metros de largura e 8,26 metros de altura. Sem carga, pesa 360 toneladas. Com carga máxima, chega a 810 toneladas, mais do dobro do peso de um Boeing 747 totalmente abastecido.
Os pneus são oito unidades do tipo 59/80R63, fabricadas pela Bridgestone, com 4,03 metros de diâmetro, 1,5 metro de largura e mais de 5 toneladas cada. A simples troca de um pneu exige guindaste e equipe especializada. Segundo a documentação técnica do BelAZ 75710, o veículo foi projetado exclusivamente para operação em minas a céu aberto de grande escala.

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Como funciona o motor desse veículo gigante?
O coração do 75710 são dois motores a diesel MTU Detroit Diesel 16V4000, cada um com 16 cilindros em V, 65 litros de cilindrada e 2.300 cv a 1.900 rpm, somando 4.600 cv no total. O torque máximo por motor é de 9.313 Nm a 1.500 rpm.
Esses motores não acionam as rodas diretamente. Funcionam como geradores que produzem eletricidade, enviada para quatro motores elétricos Siemens (modelo 1TB3026) instalados dentro de cada roda, por meio da transmissão elétrica Siemens MMT500. É o mesmo princípio de propulsão usado em locomotivas e submarinos. Quando opera com cargas abaixo da capacidade máxima, o caminhão pode funcionar com apenas um dos dois motores diesel para economizar combustível.
Quanto combustível o maior caminhão do mundo consome?
Cada motor consome aproximadamente 425 litros de diesel por hora em operação normal. Com os dois motores funcionando em plena carga, o consumo total chega a 850 litros por hora. Em distância, o consumo é de cerca de 13 litros por quilômetro.
Para sustentar essa demanda, o caminhão está equipado com dois tanques de 2.800 litros cada, totalizando 5.600 litros de capacidade. O sistema de refrigeração dos motores comporta 890 litros de líquido, e cada motor tem um sistema de lubrificação independente com 269 litros de óleo.
Para ter uma ideia visual real da escala dessa máquina em operação, o canal Apaixonados Por Estrada, com mais de 200 mil inscritos, publicou um vídeo detalhado que percorre as especificações e mostra o BelAZ 75710 em funcionamento nas minas:
Como esse veículo freia com 810 toneladas em movimento?
Apesar da massa, o 75710 atinge 64 km/h em vazio e opera habitualmente a 40 km/h com carga total em terrenos com declive de até 10%. A frenagem é feita por discos duplos refrigerados a óleo em cada roda dupla, com pinças triplas instaladas nos eixos dos motores elétricos.
O sistema de frenagem eletrodinâmica atua como retardador simultaneamente, reduzindo o desgaste mecânico e passando de tração máxima para desaceleração total em menos de um segundo. A cabine é acessada por escadas laterais e conta com:
- Filtração de ar, aquecimento e ar-condicionado
- Controle de pressão dos pneus por telemetria
- Alarme de proximidade de linhas de alta tensão
- Visibilidade monitorada por câmeras externas, dado o tamanho do veículo
Onde o maior caminhão do mundo opera e quanto custa?
O primeiro exemplar foi entregue em 2013 a uma mina de carvão em Kuzbass, na Sibéria, Rússia. O BelAZ 75710 opera exclusivamente em vias privadas nas áreas de mineração, jamais em estradas públicas, para as quais está proibido por exceder todos os limites legais de peso e largura.
O valor estimado do veículo é de cerca de 7,5 milhões de dólares, o equivalente a aproximadamente R$ 38 milhões. Não há relatos de unidades operando no Brasil. As principais características do caminhão em números:
- Capacidade de carga: 450 toneladas
- Peso total com carga: 810 toneladas
- Potência combinada: 4.600 cv
- Consumo em plena carga: 850 litros por hora
- Pneus: 8 unidades de 4,03 metros de diâmetro
- Velocidade máxima: 64 km/h
O BelAZ 75710 representa o limite atual do que a engenharia consegue construir sobre rodas. Projetado para mover montanhas, literalmente, ele é a prova de que algumas máquinas existem em um universo completamente diferente do que qualquer pessoa já viu circulando em uma estrada.
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