A sucessão em empresas familiares foi o tema central do Smart Money, programa da BM&C News, que discutiu os desafios de gestão, crescimento e continuidade de negócios conduzidos por famílias. No episódio, Gabriel Lopes recebeu Rodrigo Junqueira, fundador do Auge Club, além dos especialistas Cristiano Bem e Eric Nunes, para analisar como conflitos familiares, ausência de governança e falta de estrutura podem limitar a expansão de empresas com potencial de longo prazo.
O Auge Club surgiu a partir da percepção de que muitas empresas familiares enfrentam dificuldade para separar a dinâmica familiar da gestão empresarial. A proposta do clube é reunir empresários para trocar experiências, discutir dores comuns e construir soluções voltadas à continuidade dos negócios.
“O Auge Club surgiu de uma dor de empresas familiares construir a sua sucessão”, afirmou Rodrigo Junqueira.
Sucessão em empresas familiares passa por comportamento e estrutura
A discussão mostrou que o problema da sucessão não está restrito ao desenho jurídico ou societário. Em muitos casos, a maior dificuldade está no campo comportamental, envolvendo vínculos familiares, expectativas entre gerações, resistência à profissionalização e ausência de limites claros entre relações pessoais e decisões empresariais.
Rodrigo destacou que o trabalho do Auge Club busca organizar a empresa de forma profissional, preservando tanto o patrimônio quanto a relação entre os envolvidos. Para ele, a continuidade depende de governança, visão de médio e longo prazo e capacidade de separar família e negócio.
“A maior dor que eu vejo é muito mais na parte comportamental, emocional da família do que de fato na estruturação”, explicou Rodrigo Junqueira.
Interior do Rio deu origem ao Auge Club
O Auge Club nasceu em Três Rios, no interior do Rio de Janeiro, região onde há forte presença de empresas familiares em transição entre gerações. A localização também influencia o acesso a informação, tecnologia, gestão e ferramentas de profissionalização.
Na avaliação apresentada no programa, empresas fora dos grandes centros costumam enfrentar mais barreiras para acessar soluções estratégicas. Nesse contexto, o clube busca aproximar empresários de práticas de gestão, governança, marketing e vendas, respeitando o estágio de maturidade de cada negócio.
“O grupo nasceu no interior do Rio, numa cidade chamada Três Rios”, relatou Rodrigo Junqueira.
Escala exige metodologia e novos formatos de entrega
Um dos pontos discutidos no Smart Money foi a dificuldade de escalar um modelo baseado em mentoria e acompanhamento próximo. Rodrigo explicou que hoje atua como principal mentor do Auge Club, o que limita a capacidade de expansão e torna necessária a criação de processos mais replicáveis.
Cristiano Bem avaliou que o negócio pode ganhar tração ao organizar melhor seus produtos e criar diferentes camadas de serviço. A sugestão foi combinar uma entrega mais consultiva, voltada a casos específicos, com soluções mais estruturadas para atender um número maior de empresas.
“Você também pode produtificar alguns tipos de serviço”, sugeriu Cristiano Bem.
Governança precisa antecipar conflitos familiares
A sucessão foi tratada como um processo que deve começar antes da necessidade de troca de comando. Quando a discussão ocorre apenas no momento em que o fundador precisa se afastar, aumentam os riscos de conflito, improviso e perda de eficiência operacional.
O debate também abordou casos em que herdeiros não desejam assumir a gestão, mas querem manter participação no negócio. Para Rodrigo, esse cenário exige clareza de papéis, alinhamento familiar e definição sobre quem terá função executiva, participação societária ou posição de acompanhamento.
“O melhor caminho é sentar para poder conversar e alinhar o pensamento de médio a longo prazo”, pontuou Rodrigo Junqueira.
Nicho pode ampliar a força comercial do negócio
Eric Nunes avaliou que o Auge Club tem uma dor relevante para atacar, mas precisa avançar no posicionamento de mercado. Para ele, a sucessão em empresas familiares pode ser trabalhada por nichos específicos, como concessionárias, contabilidade, indústria, comércio, agro e franquias.
A leitura do especialista é que a segmentação pode tornar a proposta mais clara para o cliente e facilitar a construção de casos de sucesso. Ao falar diretamente com setores que vivem problemas semelhantes, o clube tende a ganhar precisão comercial e maior capacidade de aquisição.
“Em algum momento do Auge Club você tem que se posicionar com o mercado”, avaliou Eric Nunes.
Tecnologia, marketing e vendas entram na agenda de crescimento
A conversa também avançou sobre o papel da tecnologia no processo de profissionalização. Rodrigo afirmou que, antes de implementar soluções tecnológicas, é necessário trabalhar a mentalidade dos empresários, especialmente em mercados do interior, onde a adoção de mudanças pode ocorrer em ritmo mais gradual.
Além da governança, o Auge Club atua com gestão, marketing e vendas como pilares para estruturar o crescimento das empresas familiares. Segundo Rodrigo, muitos empresários ainda enxergam marketing como gasto, e não como parte da construção de posicionamento, comunicação e geração de receita.
“Eu trabalho muito forte, ou seja, gestão, governança, marketing e vendas”, destacou Rodrigo Junqueira.
Parcerias e produtos podem fortalecer o ecossistema
Cristiano também sugeriu que o Auge Club avalie parcerias com empresas de tecnologia, criando um ecossistema de soluções para os membros. A estratégia poderia ampliar o valor entregue aos participantes e gerar novas frentes de receita por meio de indicações, alianças comerciais ou recorrência.
A avaliação dialoga com a necessidade de transformar o clube em uma plataforma mais estruturada. Em vez de concentrar toda a entrega em uma única mentoria, o modelo poderia combinar comunidade, consultoria, produtos específicos, parceiros e soluções segmentadas conforme a necessidade de cada empresa.
“Você trazer parceiros de tecnologia nesse sentido que você pode ganhar com a recorrência da indicação desses parceiros”, acrescentou Cristiano Bem.
Plano de sucessão pode ser o eixo central da proposta
Na análise dos especialistas, o Auge Club pode tornar mais tangível sua entrega ao estruturar planos de sucessão para diferentes cenários. A empresa familiar pode preparar um membro da família, desenvolver um colaborador interno, contratar um executivo de mercado, vender o negócio ou enfrentar perda de continuidade.
Esse planejamento, quando estruturado com método, prazo, governança e suporte jurídico, ajuda a reduzir incertezas e a organizar a transição. Também permite que o fundador tome decisões com mais clareza, sem depender apenas de acordos informais ou expectativas familiares não alinhadas.
“Eu teria uma metodologia muita forte que você vai aplicar, vai testar e vai entregar o resultado”, recomendou Cristiano Bem.
Setores específicos podem acelerar aquisição de clientes
Eric Nunes reforçou que a escolha de nichos pode ser uma estratégia para ampliar o alcance do Auge Club. Segundo ele, alguns segmentos enfrentam problemas recorrentes de sucessão, inclusive quando herdeiros não desejam assumir a operação e o negócio passa a depender de gerentes ou executivos sem preparo para a transição.
A partir dessa leitura, o clube poderia construir soluções voltadas a setores com dores semelhantes. O especialista citou o exemplo de concessionárias e franquias, nas quais a ausência de sucessão pode comprometer negócios rentáveis e afetar cadeias inteiras.
“Você pegar de cima para baixo é pescar no mar com rede, não com varinha”, comparou Eric Nunes.
Caminho futuro passa por foco e profissionalização
Ao fim da conversa, Rodrigo reconheceu que o Auge Club nasceu com uma proposta voltada a empresas familiares, mas ainda pode ganhar mais clareza ao segmentar sua atuação. A escuta dos especialistas apontou para a necessidade de organizar produtos, definir nichos e estruturar melhor a metodologia para ganhar escala.
A conclusão do episódio foi que a sucessão em empresas familiares exige mais do que intenção de continuidade. O processo depende de governança, preparo, comunicação entre gerações, formação de lideranças e capacidade de transformar uma dor familiar em uma estratégia empresarial de longo prazo.
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