Gestoras de FIDCs ampliam espaço no mercado de crédito e avançam sobre domínio dos bancos

FIDC: A nova fronteira dos investimentos no Brasil

O mercado de crédito estruturado ganhou ainda mais relevância no Brasil em 2025, consolidando os Fundos de Investimento em Direitos Creditórios (FIDCs) como uma alternativa crescente ao financiamento tradicional oferecido pelos bancos. Com maior demanda por soluções mais flexíveis e agilidade na concessão de crédito, empresas passaram a recorrer com mais intensidade ao mercado de capitais e às gestoras independentes.

Os FIDCs ultrapassaram a marca de R$ 800 bilhões em patrimônio líquido no ano, avanço de 22,5% em relação a 2024. O movimento acompanhou o forte crescimento do mercado de capitais brasileiro, que movimentou R$ 1,4 trilhão em ofertas ao longo do período. Dentro desse cenário, os FIDCs responderam por aproximadamente R$ 90,8 bilhões em captações primárias.

O avanço também foi percebido na base de investidores. O número de participantes em fundos desse tipo cresceu 25% em 2025, superando 330 mil investidores, impulsionado pela busca por retornos mais atrativos e por instrumentos menos dependentes do sistema bancário tradicional.

Além dos FIDCs, o mercado de crédito privado também manteve forte ritmo de expansão. Debêntures e certificados de recebíveis somaram cerca de R$ 500 bilhões em emissões no período, reforçando a diversificação das fontes de financiamento corporativo no país. Investidores institucionais ampliaram participação nesse mercado e passaram a responder por mais de 40% do volume total de novas emissões em 2025.

Para Valdir Piran Jr., fundador e diretor executivo da Gestora Intra, o avanço do crédito estruturado reflete uma mudança importante no perfil de financiamento das empresas brasileiras.

“O crédito estruturado é a resposta a um mercado que busca agilidade e maior controle sobre os riscos”, afirma. “A flexibilidade oferecida por esses instrumentos, combinada com uma análise rigorosa da saúde financeira das empresas, permite que investidores e tomadores tenham soluções mais rápidas e seguras.”

Segundo o executivo, empresas de médio e grande porte, historicamente dependentes do crédito bancário, passaram a buscar alternativas mais alinhadas às suas necessidades operacionais e ao ritmo dos negócios.

A Gestora Intra vem ampliando sua atuação nesse segmento. Desde 2020, a companhia já originou e liquidou mais de R$ 20 bilhões em operações estruturadas. De acordo com Piran Jr., a combinação entre tecnologia, governança e análise de risco detalhada tem sido um diferencial competitivo no mercado.

“Nosso foco é garantir não apenas uma boa taxa de retorno, mas a sustentabilidade de longo prazo das operações. Analisamos cada empresa de forma única, entendendo suas necessidades e ajustando a solução de crédito à sua realidade”, destaca.

A expectativa do setor é de continuidade da expansão em 2026, sustentada pelo aumento da demanda por crédito fora do sistema bancário tradicional e pela maior participação do mercado de capitais no financiamento corporativo. O cenário reforça a consolidação dos FIDCs e do crédito estruturado como instrumentos cada vez mais relevantes dentro da dinâmica financeira brasileira.

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