Ataque a tiros em colégio: retorno das aulas na rede pública do AC é adiado para quarta-feira (13)


Educação de Rio Branco anuncia medidas após tragédia no Instituto São José, em Rio Branco
A Secretaria de Estado de Educação e Cultura (SEE) prorrogou, nesta sexta-feira (8), suspensão das aulas na rede pública do Acre até terça (12). A previsão era de que as aulas retornassem na segunda (11), contudo, a nova previsão é para quarta (13).
As aulas na rede pública e privada foram suspensas após o ataque a tiros no Instituto São José, em Rio Branco, na última terça (5), que terminou com a morte de duas inspetoras.
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👉Contexto: O ataque ocorreu no início da tarde de terça, dentro do Instituto São José, escola conveniada ao Estado. Segundo a polícia, o autor dos disparos é um aluno de 13 anos, que entrou armado na escola e atirou contra servidores e estudantes. Alzenir Pereira da Silva e Raquel Sales Feitosamorreram no local e foram veladas na quarta (6). Uma aluna de 11 anos e outra servidora ficaram feridas e receberam alta no mesmo dia. O adolescente segue apreendido.
No início da noite desta sexta, a Educação divulgou que a decisão foi tomada por causa da importância do apoio psicossocial à comunidade escolar. Também ressaltou a necessidade de alinhar novos protocolos de segurança após o episódio de violência.
Ataque a tiros em escola no Acre deixa duas servidores mortas e alunos feridos
Ainda no comunicado, a pasta destaca que o cronograma de acolhimento e orientação a funcionários, professores e colaboradores começa na próxima segunda (11). O objetivo é orientar sobre os novos fluxos de segurança e os procedimentos da escola.
Na terça (12), haverá a apresentação dos novos protocolos de segurança e a organização da escola para os pais, mães e responsáveis dos alunos. As orientações incluem ações de prevenção, sempre dentro da lei e com respeito à dignidade das pessoas.
“A prioridade neste momento é garantir que o retorno aconteça de forma organizada, segura e acolhedora. Estamos mobilizando toda a rede, em conjunto com os órgãos parceiros, para fortalecer os protocolos de proteção e, principalmente, apoiar emocionalmente nossa comunidade escolar”, afirmou o secretário de Estado de Educação e Cultura, Reginaldo Prates.
Medidas na rede municipal
Em entrevista à Rede Amazônica Acre na quinta (7), a secretária municipal de Educação, Kelce Nayra Paes, afirmou que a pasta já iniciou reuniões com setores da gestão municipal e forças de segurança para discutir medidas de prevenção e resposta a episódios de violência nas escolas.
Segundo a gestora, uma das ações previstas é a ampliação do Projeto Escola Mais Segura, desenvolvido desde 2025 em parceria com órgãos de segurança pública, saúde e o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu).
“Esse projeto é em consonância com as forças de segurança, com a educação do município e com a saúde. O principal objetivo é fazer com que os nossos servidores, agentes de portaria, professores e técnicos saibam detectar e intervir da melhor maneira possível em situações de violência para tentar diminuir os danos”, explicou.
A secretária informou ainda que a prefeitura pretende promover capacitações periódicas para profissionais das escolas municipais, com treinamentos e simulações práticas de situações de emergência.
“Estamos planejando um trabalho de três dias, que possivelmente será aplicado uma vez ao ano, no início do ano letivo ou a cada seis meses. Além das formações com profissionais da segurança, iremos conversar com o Samu para fazer simulações dentro das escolas”, disse.
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Conforme a gestora, os alunos também devem participar das orientações, mas com cuidados específicos por causa da faixa etária atendida pela rede municipal.
“Precisamos lembrar que as nossas crianças são pequenas. Vamos ter muito cuidado para que isso não acabe abalando ainda mais os estudantes. Mesmo sendo uma simulação, precisamos ter cuidado também do ponto de vista emocional”, acrescentou.
A secretária também confirmou que a prefeitura discute mudanças estruturais, incluindo reforço nas portarias das escolas. A expectativa é que algumas medidas comecem a ser implementadas ainda neste mês.
“Temos algumas leis já para serem implementadas e estamos em conversa para tentar implementar o máximo de ações possíveis para que essa segurança venha o mais rápido possível. Sabemos que temos agentes de portaria e câmeras, mas infelizmente nem sempre é suficiente para evitar uma situação dessas”, destacou.
Educação Estadual também prevê reforço na segurança
Rede Amazônica Acre
Medidas do MP
O Ministério Público do Acre (MP-AC) informou, em entrevista coletiva na quinta (7), que também acompanha as investigações conduzidas pela Polícia Civil, bem como designou membros para atuação direta no caso.
“Foi feita a oitiva do adolescente e o ajuizamento da representação por ato infracional, com o requerimento de internação provisória”, afirmou o procurador-geral de Justiça, Oswaldo Albuquerque.
O adolescente segue custodiado aguardando a decisão judicial, além da análise de equipamentos apreendidos pela Polícia Civil. O prazo inicial para finalização do inquérito é de 30 dias, com possibilidade de prorrogação devido à quantidade de elementos e da complexidade do caso.
“Está sendo feita [a análise] diuturnamente, a equipe está trabalhando nessas coletas para que a gente consiga solucionar isso o quanto antes”, complementou o delegado-geral-adjunto, Martin Hessel.
Albuquerque destacou ainda que o MP criou um grupo específico para atuação integrada no enfrentamento à violência nas escolas, além de ter anunciado a implantação de um centro voltado ao monitoramento de ameaças no ambiente virtual.
“Também instituímos um centro de análise cibernética para monitoramento preventivo de redes sociais e ambientes digitais, com o objetivo de identificar, de forma antecipada, discursos de ódio, ameaças e conteúdos relacionados à violência escolar”, completou.
MP-AC detalha medidas adotadas após ataque em escola de Rio Branco nesta quinta-feira (7)
Richard Lauriano / Rede Amazônica
Investigação
O adolescente suspeito do ataque se apresentou no Comando-Geral da Polícia Militar, a cerca de 550 metros do colégio, pouco depois dos disparos e foi apreendido.
A polícia informou que a arma usada no crime pertence ao padrasto do jovem. O homem chegou a ser conduzido à delegacia, assinou um Termo Circunstanciado de Ocorrência (TCO) e foi liberado ainda no mesmo dia do ataque.
Segundo a Polícia Civil, duas linhas de investigação foram abertas: uma para apurar o ato infracional cometido pelo adolescente e outra para investigar a responsabilidade do padrasto pela guarda da arma.
Além disso, o Ministério da Educação (MEC) determinou o envio de especialistas do Programa Escola que Protege ao Acre após o ataque.
Após o ataque, o governo do Acre e a Prefeitura de Rio Branco decretaram luto oficial de três dias. As aulas das redes pública e privada foram suspensas até a próxima sexta-feira (8).
Ataque ocorreu no Instituto São José, que fica no Centro de Rio Branco
Reprodução/g1
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