Estudante da rede pública cria IA para ajudar alunos com TDAH a superar dificuldades em sala de aula no RS


Ferramenta Flexia foi desenvolvida por Kelvin Moraes, de 17 anos
André Avila/Agência RBS
Empatia pelos colegas e a experiência pessoal de um estudante o ajudaram a criar uma ferramenta capaz de transformar o dia a dia dentro das escolas. Kelvin Moraes, de 17 anos, mora em Novo Hamburgo, na Região Metropolitana de Porto Alegre.
Aluno da rede estadual de ensino, ele desenvolveu a Flexia, uma assistente que usa Inteligência Artificial para ajudar estudantes com neurodivergências, como TDAH e dislexia, a acompanhar conteúdos em sala de aula. Entenda abaixo como funciona a ferramenta.
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Kelvin está no 3º ano do ensino médio no Colégio Estadual 25 de Julho. O projeto nasceu como trabalho de conclusão do curso técnico de Desenvolvimento de Sistemas, que fez pelo Senac e concluiu no início deste ano.
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“A Flexia é uma IA tutora, foi criada para auxiliar os estudos, nós não temos o intuito de substituir o professor, mas, sim, ajudar o aluno quando o professor não está disponível ou realmente qualificado”, explica.
A ideia surgiu quando ele viu a descrição do concurso Gemini 3 Hackathon, da Google, que determinava que o projeto deveria “resolver um problema ou ser útil para uma comunidade”. A partir daí, ele começou a pensar em qual problema que do dia a dia ele poderia resolver.
“Eu queria fazer algo que também seria útil para mim, então em buscas de artigos, papers, estudos e outros itens”, conta.
Em um dos artigos científicos que leu, descobriu que o “TDAH e a dislexia são os diagnósticos mais frequentes em crianças com baixo rendimento escolar no Brasil” e começou a pensar em soluções para ajudar esses estudantes. A mãe, que tem formação em psicanálise, também o ajudou a entender melhor o cenário.
Como funciona
A assistente foi criada a partir da chamada “engenharia de prompt”, que trata-se da instrução que a IA recebe para executar a tarefa. Quanto melhor estiver a ordem, melhor será o resultado. A Flexia é adaptada para pessoas com neurodivergências, com adaptações para cada tipo.
Ele garante que a ferramenta não dá as respostas e, sim, instiga o aluno a buscá-la. “Usamos um método socrático de aprendizagem, onde questionamos o aluno ao invés de entregar algo pronto”, destaca.
A ideia de Kelvin é seguir desenvolvendo a Flexia para que a tecnologia possa ser implementada. Após a formatura, ele pretende cursar Análise e Desenvolvimento de Sistemas, Computação e Psicologia.
“Infelizmente a ferramenta não é gratuita, manter uma inteligência artificial não é algo barato. Os testes podem sim ser feitos, mas nós liberamos somente alguns vouchers para testes.” Ele afirma que a tecnologia já está apta para ser usada. “A única coisa que falta são os alunos ou escolas interessados.”
Ferramenta Flexia foi desenvolvida por Kelvin Moraes, de 17 anos
André Avila/Agência RBS
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