
Menino de Araraquara descobre paixão pelo crochê após ficar internado
Mãos pequenas, mas extremamente habilidosas. O que começa como linhas soltas rapidamente se transforma em desenhos detalhados nas mãos de Rene Alberto Raphael Vicente, de 10 anos, de Araraquara (SP). A agilidade com que o garoto faz crochê chama a atenção e revela um talento que surgiu de forma espontânea.
📱 Siga o g1 São Carlos e Araraquara no Instagram
Mais do que um passatempo, o crochê ganhou um papel importante na vida do menino. Em 2024, René ficou internado por dois meses após perder os movimentos das pernas.
Foi nesse período que o crochê passou a fazer parte da rotina, com vídeos que via na internet. Na época, os médicos apontaram o quadro como consequência de depressão e ansiedade, desencadeadas após a mãe ser hospitalizada com dengue hemorrágica.
“No hospital, ele começou fazendo pequenos mimos para as enfermeiras”, lembrou a mãe, Rosana Mariano de Campos.
Menino de Araraquara descobre paixão pelo crochê após ficar internado
Nilson Porcel/EPTV
Mais notícias da região:
ARARAQUARA: Casal pedala 16 mil km rumo à Copa, mas problema com visto interrompe viagem: ‘Burocracia’
CORUMBATAÍ: Com fósseis de 280 milhões de anos, projeto para geoparque em SP busca selo internacional
RIO CLARO: Buzinaço e emoção: menina com leucemia revê o mar após 10 meses de tratamento
Internação e superação
Durante a internação, ele precisou usar cadeira de rodas e tinha dificuldade até para dar poucos passos.
Sem nunca ter feito aulas, ele aprendeu a técnica assistindo a vídeos na internet. Com o tempo, memorizou os pontos e passou a produzir peças sem precisar de instruções.
“Eu já acostumei com os pontos. Quando eu já fiz uma peça alguma vez, não preciso mais ver vídeo aula. Eu já decorei a receita”, contou.
Veja matéria completa no Bom Dia Cidade:
Menino de 10 anos usa crochê para superar traumas de internações e ansiedade
Crocheteiro nato e disciplinado
A família percebeu cedo que não se tratava apenas de uma brincadeira. O que começou como curiosidade virou dedicação, e segundo a mãe, um dom.
“Eu vi que não era só uma coisinha para ele brincar. Era algo que ele ia desenvolver cada vez mais. Ele não para. É um dom que veio com ele para continuar”, comentou.
René mantém uma rotina disciplinada. Depois da escola, dedica horas ao crochê. No quarto, os brinquedos deram lugar a novelos de linha, agulhas e até uma máquina de costura.
A mãe comentou que em datas comemorativas, o pedido sempre é o mesmo: barbantes. Seja no Natal e aniversário, o pedido sempre é o mesmo para produzir peças novas.
Menino de Araraquara descobre paixão pelo crochê após ficar internado
Nilson Porcel/EPTV
Evolução rápida
O garoto começou com itens simples, como tapetes e toalhas, mas evoluiu rapidamente para peças mais elaboradas, como sousplats e até roupas.
“Já fiz um biquíni, mas demoro para fazer. Agora quero aprender a fazer roupa, e estou fazendo caminho de mesa, tapetes e sousplats. Eu amo fazer crochê, gosto muito”, contou.
Entre os desafios, ele ainda quer aperfeiçoar a produção de panos de prato e ampliar a confecção de vestuário.
O talento já começa a trazer retorno financeiro. René passou a receber encomendas e vender os produtos em feiras, transformando o que era terapia em uma fonte de renda.
A família segue incentivando cada passo. “Eu apoio tudo o que ele quiser fazer. Eu só não consigo aprender, deixei o dom pra ele mesmo”, conclui a mãe.
Menino de Araraquara descobre paixão pelo crochê após ficar internado
Nilson Porcel/EPTV
REVEJA VÍDEOS DA EPTV CENTRAL:
Veja mais notícias da região no g1 São Carlos e Araraquara
