
O diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Adhanom Ghebreyesus, se reuniu com o presidente do governo da Espanha, Pedro Sánchez, neste sábado (09), antes de seguir para as Ilhas Canárias, onde acompanhará o navio de cruzeiro MV Hondius atracar, foco de um surto de hantavírus.
O encontro foi realizado no Palácio de Moncloa, sede da Presidência do Governo espanhol. A embarcação deve chegar ao porto de Granadilha, na ilha de Tenerife, na Espanha, na manhã deste domingo (10).
Tedros irá supervisionar o desembarque dos passageiros. Ele informou que mantém comunicação direta com os tripulantes do navio e que, até o momento, não há novos casos de passageiros com sintomas da doença.
Segundo Tedros, os viajantes serão transferidos para terra firme.
Surto
O cruzeiro MV Hondius partiu da Argentina com destino a Cabo Verde. Segundo o relatório mais recente da OMS, há oito casos notificados ligados ao surto, incluindo três mortes, um casal de passageiros holandeses e uma mulher alemã. Desses oito casos, seis foram confirmados em laboratório como infecções por hantavírus, todos identificados como causados pelo vírus Andes (ANDV), a única cepa conhecida com registros de transmissão entre humanos em situações de contato muito próximo.
Os outros dois casos seguem classificados como prováveis.
O navio está à deriva há semanas. Na última quarta-feira (06), três passageiros doentes desembarcaram próximo a Cabo Verde para atendimento médico. Depois disso, o cruzeiro seguiu viagem rumo às Ilhas Canárias com cerca de 150 pessoas a bordo, entre passageiros e tripulantes de 23 nacionalidades.

Cerca de metade dos 60 tripulantes continuarão a bordo para conduzir o navio até a Holanda, país de bandeira da embarcação e onde será feita a desinfecção.
O que é hantavírus?
O hantavírus é uma doença respiratória rara. A principal via de transmissão é por meio de contato com excreções (urina, fezes, saliva) de roedores silvestres ou superfícies contaminadas.
Os sintomas iniciais podem enganar. Febre, dores no corpo e mal-estar são comuns, o que leva muitos pacientes a confundirem a doença com uma gripe. No entanto, o quadro pode evoluir rapidamente para uma síndrome pulmonar grave, com dificuldade intensa para respirar.
Esse avanço silencioso é um dos pontos que mais preocupam especialistas. Em poucos dias, o paciente pode apresentar falência respiratória, exigindo internação e suporte intensivo.
