
Após 8 anos tentando engravidar, baiana realiza sonho da maternidade
A espera pela maternidade durou oito anos para a mentora e palestrante Yalle Roseno. Entre consultas médicas, diagnósticos inesperados, tratamentos hormonais e duas tentativas de fertilização in vitro, ela enfrentou um processo que define como “avassalador’, mas que hoje se tornou combustível para ajudar outras mulheres que vivem desafios semelhantes.
Natural de São Paulo, mas criada em Feira de Santana, Yalle mora atualmente em Salvador e é mãe de Laura, de 4 anos. Advogada de formação, ela deixou a carreira jurídica para atuar no desenvolvimento humano feminino com palestras, mentorias e conteúdos nas redes sociais.
A maternidade sempre foi um sonho antigo. Desde a adolescência, porém, já convivia com a síndrome dos ovários policísticos (SOP) — condição que afetava o ciclo menstrual e exigia tratamento contínuo com anticoncepcionais.
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Foi em 2013, após interromper o uso da medicação para tentar engravidar, que percebeu que o processo não seria simples.
Espera pela maternidade durou oito anos para a mentora e palestrante Yalle Roseno.
Arquivo Pessoal
Ao g1, Yalle contou que esperava engravidar naturalmente, mas, após mais de um ano de tentativas sem sucesso, decidiu procurar ajuda especializada.
“Eu imaginava que poderia existir alguma dificuldade, mas ainda não tinha noção do que vinha pela frente”, relembrou.
Diagnósticos, tratamentos e perdas emocionais
Casal recebeu diagnósticos durante tentativas para gestação
Arquivo pessoal
Ao longo da investigação médica, além da SOP, outros diagnósticos surgiram. Yalle descobriu uma hidrossalpinge bilateral — acúmulo de líquido nas trompas — e uma endometriose profunda, mesmo sem apresentar sintomas aparentes.
Enquanto lidava com os próprios exames e procedimentos, o marido também recebeu o diagnóstico de diabetes tipo 1 já na vida adulta, o que afetou temporariamente a qualidade dos espermatozoides e exigiu tratamento antes das tentativas de fertilização.
A cada nova descoberta, o casal precisava reorganizar a rotina, os planos e o emocional. “Era como se um problema fosse puxando o outro. Cada exame trazia uma nova dificuldade e isso desgasta muito”, ressaltou.
Durante o processo, Yalle passou por cirurgias, uso de hormônios, exames frequentes e mudanças na rotina. Ela precisou compreender o corpo de forma integral para continuar tentando engravidar.
Além do uso de hormônios, Yalle passou por tratamentos e procedimentos diante dos diagnósticos
Arquivo Pessoal
Além do desgaste físico, a infertilidade trouxe impactos emocionais. Segundo Yalle, houve momentos de solidão, medo e sensação de incapacidade.
“Você vai se sentindo fragilizada porque percebe que não consegue controlar o resultado. Isso mexe com autoestima, com o relacionamento e com a forma como você se vê”, afirmou.
Em meio a isso, ela buscou acompanhamento psicológico, o que foi “essencial” para que conseguisse atravessar o período.
Após anos de tentativas, o casal decidiu seguir para a fertilização in vitro (FIV), considerada a alternativa mais viável pelos médicos. O primeiro resultado negativo após a transferência dos embriões, no entanto, foi um dos episódios mais dolorosos do processo.
“Aquele negativo foi vivido como um luto. A gente já estava há muitos anos tentando e parecia que o sonho tinha escapado de novo”.
Mesmo diante das dificuldades, desistir nunca entrou em discussão. O casal chegou a conversar sobre adoção como possibilidade futura, mas mantinha o desejo de viver a gestação.
“Ser mãe sempre foi algo muito forte dentro de mim. Eu sabia que, de alguma forma, esse sonho faria parte da minha vida”, disse.
Gravidez e o encontro com a filha
Mesmo diante das dificuldades casal chegou não dessitiu da gestação
Arquivo Pessoal
A gravidez veio na segunda tentativa da fertilização in vitro. O resultado positivo trouxe emoção, mas também medo.
Yalle descobriu a gestação durante o período de maior confinamento da pandemia da Covid-19, em 2020, e enfrentou episódios de sangramento logo no início da gravidez. Ela precisou usar doses elevadas de hormônios para manter a gestação e conviveu com receios constantes de perder o bebê.
“Eu imaginava que o positivo viria acompanhado de tranquilidade, mas o começo foi muito difícil. Eu tinha medo o tempo inteiro”, relatou.
Após anos de tentativas, Yalle engravidou de Laura que nasceu de parto normal
Arquivo Pessoal
Apesar dos desafios, a gravidez evoluiu de forma saudável. Laura nasceu de parto normal, como Yalle desejava. O momento em que segurou a filha pela primeira vez permanece vivo na memória.
Segundo Yalle, a maternidade ajudou a ressignificar os anos de sofrimento vividos antes da gravidez. “Hoje eu entendo que toda aquela dor também me preparou para aquilo que eu faço atualmente”.
Dor transformada em propósito
Depois da maternidade, Yalle passou a compartilhar a própria história nas redes sociais e criou o movimento “Mulher Inteira”, voltado ao acolhimento feminino em processos de transição, maternidade e reconstrução emocional.
Ela afirma que muitas mulheres chegam até ela carregando sentimentos de esgotamento, culpa e perda da própria identidade.
alle passou a compartilhar a própria história nas redes sociais e criou um movimento
Arquivo Pessoal
Nas palestras e mentorias, o foco deixou de ser apenas a infertilidade e passou a envolver também autoestima, propósito e pertencimento. “As mulheres não precisam se reinventar, elas precisam se reencontrar. Muitas vezes a gente vai deixando partes de nós pelo caminho tentando caber em expectativas e papéis”, explicou.
Neste Dia das Mães, Yalle diz olhar para a filha como a materialização de um sonho que atravessou anos de dor e espera. “Hoje eu olho e penso que viveria tudo de novo para ter essa vida ao lado dela”.
Yalle diz olhar para a filha como a materialização de um sonho que atravessou anos de dor e espera
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