A prefeitura de Vierzon, cidade administrada desde março por uma lista de união da extrema direita, afirmou não ter organizado neste domingo (10) a comemoração da abolição da escravidão por razões de economia orçamentária e pela falta de interesse dos moradores. A oposição acusa o prefeito de ter tomado a decisão para agradar as alas mais racistas do eleitorado.
O dia 10 de maio é oficialmente reconhecido na França como a data nacional de comemoração da abolição da escravidão. Essa data não corresponde diretamente à abolição em si, mas ao reconhecimento jurídico e simbólico da escravidão pela República Francesa, após uma lei adotada em 2001 e um decreto presidencial de 2006.
Desde então, várias cidades organizam cerimônias para marcar a data. No entanto, a prefeitura de Vierzon, cidade a cerca de 190 km ao sul de Paris, decidiu suprimir as celebrações.
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Para justificar a decisão, que gerou polêmica, o vice-prefeito Yves Husté alegou a situação financeira da cidade, de 25 mil habitantes, “com uma dívida de 32 milhões de euros” e “2,5 milhões em contas não pagas”. Segundo ele, o custo da cerimônia seria da ordem de 1.500 euros. “Estamos tentando economizar um pouco em todos os lugares”, acrescentou.
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“Agradar alas mais racistas do eleitorado de extrema direita”
O vice-prefeito afirmou ainda que “ninguém comparecia” a essa data comemorativa. “Acho que isso acontece porque é um fato histórico que não tem nenhuma ligação com o presente”, argumentou o eleito para explicar o baixo interesse da população da cidade pelo 10 de maio.
O cancelamento da cerimônia pela nova prefeitura “não é nem um esquecimento, nem uma vontade de economizar, mas sim a vontade de agradar as alas mais racistas do eleitorado de extrema direita”, denunciou nas redes sociais o deputado comunista e ex-prefeito da cidade, Nicolas Sansu, que havia instituído essa data de comemoração da abolição da escravidão em Vierzon durante seu mandato. Apesar da decisão da prefeitura, Sansu organizou uma cerimônia informal neste domingo.
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“Ato político de uma violência simbólica inaceitável”
Para o Conselho Representativo das Associações Negras da França (Cran, na sigla em francês), a decisão do novo prefeito de não comemorar a data “constitui um ato político de uma violência simbólica inaceitável”.
“Apagar um dia nacional dedicado à memória do tráfico negreiro, da escravidão e de suas abolições equivale a atacar frontalmente um dever republicano fundamental: o de reconhecer os crimes contra a humanidade que moldaram a nossa história”, declarou o presidente do Cran, Haidari Nassurdine.
O vice-prefeito afirmou “compreender aqueles que são apegados” a essa data comemorativa, ressaltando que não impediu a realização da cerimônia organizada pelo ex-prefeito.
No fim de março, uma lista de união da extrema direita venceu a eleição municipal em Vierzon, cidade que era governada pela esquerda desde o fim da Segunda Guerra Mundial e comunista desde 2008.
A candidatura de Yannick Le Roux, policial de 50 anos, à frente de uma lista que reunia, entre outros, eleitos do partido de extrema direita Reunião Nacional, de Marine Le Pen, obteve 47,87% dos votos válidos no segundo turno nessa subprefeitura.
Em termos históricos, a escravidão foi abolida pela primeira vez na França em 1794, durante a Revolução Francesa, medida posteriormente revogada por Napoleão, antes de ser abolida de forma definitiva em 27 de abril de 1848.
O dia 10 de maio é oficialmente reconhecido na França como a data nacional de comemoração da abolição da escravidão. Essa data não corresponde diretamente à abolição em si, mas ao reconhecimento jurídico e simbólico da escravidão pela República Francesa, após uma lei adotada em 2001 e um decreto presidencial de 2006.
Desde então, várias cidades organizam cerimônias para marcar a data. No entanto, a prefeitura de Vierzon, cidade a cerca de 190 km ao sul de Paris, decidiu suprimir as celebrações.
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Para justificar a decisão, que gerou polêmica, o vice-prefeito Yves Husté alegou a situação financeira da cidade, de 25 mil habitantes, “com uma dívida de 32 milhões de euros” e “2,5 milhões em contas não pagas”. Segundo ele, o custo da cerimônia seria da ordem de 1.500 euros. “Estamos tentando economizar um pouco em todos os lugares”, acrescentou.
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O vice-prefeito afirmou ainda que “ninguém comparecia” a essa data comemorativa. “Acho que isso acontece porque é um fato histórico que não tem nenhuma ligação com o presente”, argumentou o eleito para explicar o baixo interesse da população da cidade pelo 10 de maio.
O cancelamento da cerimônia pela nova prefeitura “não é nem um esquecimento, nem uma vontade de economizar, mas sim a vontade de agradar as alas mais racistas do eleitorado de extrema direita”, denunciou nas redes sociais o deputado comunista e ex-prefeito da cidade, Nicolas Sansu, que havia instituído essa data de comemoração da abolição da escravidão em Vierzon durante seu mandato. Apesar da decisão da prefeitura, Sansu organizou uma cerimônia informal neste domingo.
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“Ato político de uma violência simbólica inaceitável”
Para o Conselho Representativo das Associações Negras da França (Cran, na sigla em francês), a decisão do novo prefeito de não comemorar a data “constitui um ato político de uma violência simbólica inaceitável”.
“Apagar um dia nacional dedicado à memória do tráfico negreiro, da escravidão e de suas abolições equivale a atacar frontalmente um dever republicano fundamental: o de reconhecer os crimes contra a humanidade que moldaram a nossa história”, declarou o presidente do Cran, Haidari Nassurdine.
O vice-prefeito afirmou “compreender aqueles que são apegados” a essa data comemorativa, ressaltando que não impediu a realização da cerimônia organizada pelo ex-prefeito.
No fim de março, uma lista de união da extrema direita venceu a eleição municipal em Vierzon, cidade que era governada pela esquerda desde o fim da Segunda Guerra Mundial e comunista desde 2008.
A candidatura de Yannick Le Roux, policial de 50 anos, à frente de uma lista que reunia, entre outros, eleitos do partido de extrema direita Reunião Nacional, de Marine Le Pen, obteve 47,87% dos votos válidos no segundo turno nessa subprefeitura.
Em termos históricos, a escravidão foi abolida pela primeira vez na França em 1794, durante a Revolução Francesa, medida posteriormente revogada por Napoleão, antes de ser abolida de forma definitiva em 27 de abril de 1848.
