Padre Júlio é alvo de apuração por uso de verba da igreja

Padre Júlio LancellottiReprodução: Redes Sociais

O padre Júlio Lancellotti virou alvo de uma representação enviada à Arquidiocese de São Paulo por suposto uso pessoal de R$ 1.650 da Paróquia São Miguel Arcanjo, na Mooca, em São Paulo, para pagamento de taxas judiciais ligadas a uma ação por danos morais movida pelo pároco em 2025. Segundo o documento, os valores pagos por meio de guias DARE-SP (Documento de Arrecadação de Receitas Estaduais) configurariam uso indevido de recursos de doações da igreja para finalidade pessoal. Os pagamentos teriam sido de R$ 450, em fevereiro, e R$ 1,2 mil, em novembro do ano passado.

Na representação, o vereador Thomaz Henrique (PL), de São José dos Campos (SP), afirma que os pagamentos foram realizados com recursos da Paróquia São Miguel Arcanjo, na Mooca, em São Paulo, onde Júlio Lancellotti atua como pároco. O vereador sustenta que houve uso indevido de recursos paroquiais para despesas de caráter pessoal.

Especificamente, o documento enviado à Arquidiocese alega que o padre utilizou dinheiro de doações dos fiéis para pagar custas judiciais (guias DARE-SP nos valores de R$ 450,00 e R$1.200,00) referentes a um processo particular de indenização por danos morais que ele moveu contra uma vereadora.

As custas processuais são de uma ação que Júlio Lancellotti moveu contra a vereadora Janaina Ballaris (União Brasil). O padre processou a vereadora por calúnia e difamação. A ação solicitava indenização de R$ 30.000 por danos morais.

A denúncia pede que a Arquidiocese tome as seguintes providências:

  • Suspensão imediata de todas as funções e cargos exercidos pelo padre, especialmente na Paróquia São Miguel Arcanjo;
  • Abertura de processo administrativo penal;
  • Excomunhão por “heresia”;
  • Aplicação de penas expiatórias;

A Cúria Metropolitana de São Paulo confirmou o recebimento da representação.

A Paróquia São Miguel Arcanjo, onde o Padre Júlio Lancellotti é pároco se posicionou publicamente, afirmando que possui processo de auditoria fiscal e nunca houve nenhuma irregularidade.

A igreja contesta a representação, defendendo que é uma paróquia como qualquer outra e que possui tesouraria e conselho, além de que o pároco não é o único responsável pela administração financeira.

O iG procurou o Padre Júlio Lancellotti por meio da Paróquia São Miguel Arcanjo, a própria Paróquia, o advogado responsável pela ação judicial de 2025 que motivou a representação e o vereador Thomaz Henrique (PL) para novos esclarecimentos, mas não houve retorno até a publicação deste texto. O espaço segue aberto.

Nota da Cúria Metropolitana (Arquidiocese de São Paulo)

“Informamos que a Cúria Metropolitana de São Paulo recebeu, na sexta-feira, 8 de maio, uma representação canônica encaminhada pelo vereador Thomaz Henrique referente ao Padre Júlio Lancellotti. Seu conteúdo será analisado oportunamente pelas instâncias competentes da Arquidiocese de São Paulo”.

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