
Irã envia resposta à proposta de paz dos EUA
A rápida rejeição do presidente Donald Trump à resposta do Irã a uma proposta de paz dos Estados Unidos provocou alta nos preços do petróleo nesta segunda-feira (11), em meio a temores de que o conflito, que já dura dez semanas, se prolongue e mantenha comprometido o tráfego marítimo pelo Estreito de Ormuz.
🔎Por volta das 7h30 (horário de Brasília), o Brent, referência internacional para entrega em julho, subia 2,69%, para US$ 103,52 por barril. Seu equivalente americano, o West Texas Intermediate, avançava 2,19%, para US$ 97,51 por barril.
Dias depois de os EUA apresentarem uma proposta para tentar retomar as negociações, o Irã divulgou no domingo (10) uma resposta centrada no fim da guerra em todas as frentes, especialmente no Líbano, onde Israel, aliado dos EUA, combate militantes do Hezbollah apoiados por Teerã.
O governo iraniano também exigiu compensações pelos danos causados pela guerra e reforçou sua soberania sobre o Estreito de Ormuz, segundo a TV estatal iraniana.
Além disso, pediu aos EUA o fim do bloqueio naval, garantias de que não haverá novos ataques, a suspensão das sanções e a revogação da proibição imposta à venda de petróleo iraniano, informou a agência semioficial Tasnim.
Poucas horas depois, Trump rejeitou a proposta iraniana em uma publicação nas redes sociais.
“Não gosto disso — TOTALMENTE INACEITÁVEL”, escreveu na plataforma Truth Social, sem dar mais detalhes.
Os EUA defendem o fim dos combates antes do início de negociações sobre temas mais sensíveis, como o programa nuclear iraniano.
Após a reação de Trump, Teerã afirmou nesta segunda-feira que considera sua proposta para encerrar a guerra “generosa e responsável”.
“Nossa demanda é legítima: exigir o fim da guerra, suspender o bloqueio (dos EUA) e liberar os ativos iranianos congelados devido à pressão americana”, disse o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmaeil Baghaei.
“A passagem segura pelo Estreito de Ormuz e o fortalecimento da segurança na região e no Líbano também fazem parte das exigências do Irã”, acrescentou.
Antes do início da guerra, em 28 de fevereiro, a via marítima era responsável pelo transporte de cerca de um quinto do petróleo e do gás natural liquefeito comercializados no mundo, tornando-se um dos principais pontos de pressão do conflito.
Três navios-tanque cruzaram o Estreito nos últimos dias
Embora o tráfego no Estreito de Ormuz siga reduzido em relação ao período anterior à guerra, dados das empresas Kpler e LSEG mostram que três navios-tanque carregados com petróleo bruto deixaram a região na semana passada com os rastreadores desligados, em uma tentativa de evitar ataques iranianos.
Confrontos esporádicos ao redor do estreito nos últimos dias colocaram à prova o cessar-fogo que interrompeu a guerra em larga escala desde o início de abril.
Pesquisas indicam que a guerra é impopular entre os eleitores americanos, que enfrentam preços mais altos dos combustíveis a menos de seis meses das eleições que definirão se o Partido Republicano manterá o controle do Congresso dos EUA.
Os EUA também têm encontrado pouca adesão internacional. Aliados da Otan recusaram pedidos para enviar navios ao Estreito de Ormuz sem um acordo de paz amplo e uma missão com mandato internacional.
Ainda não está claro quais serão os próximos passos diplomáticos ou militares.
Trump deve chegar a Pequim na quarta-feira (13). Diante da pressão crescente pelo fim da guerra e da crise energética global provocada pelo conflito, o Irã está entre os temas que devem ser discutidos pelo presidente americano e pelo presidente chinês, Xi Jinping.
Trump tem buscado apoio da China para pressionar Teerã a chegar a um acordo com Washington.
Ao comentar o fim das operações militares contra o Irã, Trump afirmou no domingo: “Eles foram derrotados, mas isso não significa que tenham acabado”.
O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, afirmou que a guerra ainda não terminou porque há “mais trabalho a ser feito” para eliminar o urânio enriquecido iraniano, desmontar instalações nucleares e enfrentar grupos aliados do Irã e seu arsenal de mísseis balísticos.
Netanyahu disse, em entrevista exibida no domingo no programa 60 Minutes, da CBS News, que a melhor forma de remover o urânio enriquecido seria por meio da diplomacia, mas não descartou o uso da força.
O presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, afirmou em uma publicação nas redes sociais que o Irã “jamais se curvará ao inimigo” e que defenderá “os interesses nacionais com firmeza”.
Apesar dos esforços diplomáticos para destravar as negociações, os riscos às rotas marítimas e às economias da região continuam elevados.
No domingo, os Emirados Árabes Unidos disseram ter interceptado dois drones vindos do Irã, enquanto o Catar condenou um ataque com drones que atingiu um navio de carga vindo de Abu Dhabi em suas águas territoriais.
O Kuwait informou que suas defesas aéreas interceptaram drones hostis que entraram em seu espaço aéreo.
Os confrontos também continuaram no sul do Líbano entre Israel e o Hezbollah, apesar do cessar-fogo mediado pelos EUA e anunciado em 16 de abril.
Netanyahu afirmou ainda, na entrevista ao “60 Minutes”, que o fim das hostilidades com o Irã não significaria necessariamente o encerramento da guerra no Líbano. Segundo ele, autoridades israelenses subestimaram inicialmente a capacidade iraniana de afetar o tráfego no Estreito de Ormuz.
“Demorou um pouco para que eles entendessem o tamanho do risco, mas agora entendem”, disse.
Iraniana caminha ao lado de mural com a ilustração da bandeira do Irã, em Teerã, no dia 5 de maio de 2026
Majid Asgaripour/Wana/Reuters
