
Familiares de policiais militares presos protestaram na manhã desta terça-feira (12) em frente ao Núcleo Prisional da Polícia Militar do Amazonas, na Avenida José Henrique Bentes Rodrigues, no bairro Monte das Oliveiras, Zona Norte de Manaus. O grupo tenta impedir a transferência dos agentes para a nova unidade prisional da corporação. A ação ocorre durante o processo de desativação da unidade, que será encerrada após a saída dos custodiados. Até a última atualização desta reportagem, a remoção ainda não havia começado e a operação segue em andamento no local.
A mobilização ocorre durante a Operação Sentinela Maior, realizada pelo Ministério Público do Estado do Amazonas (MPAM), em parceria com a Polícia Militar e a Secretaria de Estado de Administração Penitenciária (Seap). A ação ocorre após a fuga de 23 policiais militares registrada em fevereiro deste ano.
Durante o protesto, houve confronto verbal com equipes de segurança que faziam a guarda da área, incluindo o Comando de Policiamento Especializado (CPE) e o Batalhão de Choque.
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Imagens registradas pelo g1 mostram familiares discutindo com os policiais e questionando a legalidade da operação. Em meio aos gritos, manifestantes também protestaram contra a atuação das equipes responsáveis pela escolta.
Em um dos momentos, uma mulher aparece com uma criança no colo, chorando e sendo amparada por outras pessoas do grupo, enquanto pede para que o familiar não seja levado.
Os familiares afirmam que os policiais militares correm risco de morte caso sejam transferidos para unidades do sistema prisional comum. Segundo eles, os agentes ficariam vulneráveis a ataques de facções criminosas.
Unidade prisional da PM é desativada no Amazonas após fuga de 23 policiais
Após desativação de núcleo prisional, PMs presos irão para nova unidade na BR-174
Familiares protestam e tentam impedir transferência de PMs durante operação que desativa unidade prisional da PM no Amazonas
Lucas Macedo/g1 AM
Núcleo prisional
Até então, os presos ficavam no Núcleo Prisional da PMAM, no bairro Monte das Oliveiras, Zona Norte da capital. Diferente da nova unidade, o núcleo funcionava como uma estrutura interna da própria corporação, em um prédio independente, usada de forma provisória para custodiar policiais militares presos. O espaço era destinado apenas a praças da PM, como soldados, cabos, sargentos e subtenentes.
O g1 questionou a Polícia Militar sobre a existência de oficiais presos na corporação, quantos seriam e se eles também serão transferidos para a nova UPPM/AM, na BR-174. Até a última atualização desta reportagem, não houve retorno.
Nova unidade na BR-174
A nova Unidade Prisional da Polícia Militar do Amazonas (UPPM/AM) passa a funcionar no antigo prédio da Penitenciária Feminina de Manaus (PFM), que mais recentemente operava como Centro Feminino de Educação e Capacitação (Cefec), ao lado do Complexo Penitenciário Anísio Jobim (Compaj), na BR-174.
De acordo com a Secretaria de Estado de Administração Penitenciária (Seap), a estrutura foi criada para substituir o antigo núcleo e funcionar como unidade prisional formal da PM, com regras próprias, maior controle administrativo e reforço na segurança.
infográfico: Unidade prisional da PM é desativada no Amazonas após fuga de 23 policiais.
Crédito: Arte/g1
Fuga de 23 policiais motivou mudanças
A desativação do antigo núcleo ocorre meses após a fuga de 23 policiais militares registrada em 27 de fevereiro. Durante uma vistoria de rotina, a Polícia Militar identificou a ausência dos detentos.
Segundo a corporação, pelo menos 18 retornaram espontaneamente ainda na mesma noite. No dia seguinte, a PMAM informou que a situação havia sido regularizada.
O caso levou à abertura de investigações pelo Ministério Público. Dois policiais militares foram presos durante a Operação Sentinela, suspeitos de facilitar a saída dos detentos.
O então responsável pelo Núcleo Prisional da PMAM, major Galeno Edmilson de Souza Jales, também foi preso durante as investigações. Dias depois, o governador Wilson Lima assinou o decreto que excluiu o oficial da Polícia Militar.
Segundo o governo, a decisão teve como base entendimento das Câmaras Reunidas do Tribunal de Justiça do Amazonas (TJAM) e parecer da Procuradoria-Geral do Estado (PGE).
Após a fuga, a Polícia Militar informou que os agentes responsáveis pela guarda da unidade foram presos em flagrante e afastados das funções. A Diretoria de Justiça e Disciplina (DJD) abriu procedimento para investigar o caso.
