Saúde do RS investiga morte suspeita por hantavírus

SES destaca que ratos urbanos não hospedam os hantavírus que ocorrem no Brasil; imagem ilustrativaDivulgação: SES

Dois casos de hantavírus foram confirmados nesta segunda-feira (11) no Rio Grande do Sul e, em um deles, o paciente morreu. Os nomes dos dois positivados não foram divulgados.

De acordo com a Secretaria Estadual de Saúde (SES), ambos não possuem qualquer relação com o surto do vírus que ocorreu em navio que partiu da Argentina à Cabo Verde.

O órgão informou que a morte foi de um paciente diagnosticado com a doença na cidade de Paulo Bento (RS), em área rural. Porém, não foram divulgados mais informações sobre a vítima.

Até o momento, segundo o SES, trata-se de um caso de morte suspeita.  Amostras biológicas da vítima foram encaminhadas a um laboratório da Fundação Oswaldo Cruz para confirmar a causa do óbito.

Os dois casos foram confirmados nas zonas rurais de ambas as cidades. Em Antônio Prado (RS), a confirmação foi feita por meio de laboratório, enquanto em Paulo Bento (RS), por clínica epidemiológica.

Ainda de acordo com a SES, casos de hantavirose são registrados todos os anos no estado. Os principais riscos para contaminação estão associados a atividades agrícolas com exposição a roedores silvestres. 

Paciente de Antônio Prado (RS) está bem

A prefeitura de Antônio Prado (RS) informou que a paciente positivada mora em uma comunidade rural do município, mas viajou para o litoral com a família antes do Natal (leia nota na íntegra, abaixo).

Após retornar, começou a apresentar sintomas e procurou atendimento médico em Vale Real (RS). Ela chegou a ser internada em UTI, de onde recebeu alta, após o tratamento.

O município informou ainda que o resultado laboratorial foi concluído cerca de 60 dias após o caso e que, junto ao Centro Estadual de Vigilância em Saúde (CEVS), realiza medidas de monitoramento e investigação dos locais frequentados pela paciente.

A administração municipal afirmou que se trata de um caso isolado e que todos os protocolos sanitários estão sendo executados.

O iG também procurou a Prefeitura de Paulo Bento (RS), para obter posicionamento sobre possíveis ações de prevenção e monitoramento após os casos confirmados de hantavirose.

A reportagem também entrou em contato com a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) para obter informações sobre a análise laboratorial relacionada à causa do óbito investigado.

Até a última atualização, não houve retorno. O espaço segue aberto.

Histórico de casos Hantavírus no RS

  • 2025 – 8 casos 
  • 2024 – 7 casos
  • 2023 – 6 casos
  • 2022 – 9 casos
  • 2021 – 3 casos
  • 2020 – 1 caso
  • Fonte: Secretaria de Saúde do Rio Grande do Sul

Histórico de óbitos por Hantavírus no RS

  • 2025* – 2
  • 2024 – 3
  • 2023 – 1
  • 2022 – 3
  • 2021 – 1
  • 2020 – 0
  • Fonte: SINAN/SVSA/MS; eSUS/ES. Atualizado em 27/04/2026.
  • *Dados preliminares, sujeitos à alteração e modificação

Ministério da Saúde diz que monitora casos

O Ministério da Saúde ressalta que mantém vigilância contínua de casos humanos e de tipos de vírus de hantavirose há duas décadas, desde 1993, quando a doença foi identificada. 

Desde então, os dados apontam para uma redução de casos. Em 2025, o país registrou 35 casos e 15 óbitos, menor número desde o início da série histórica recente, conforme o Ministério. De 1993 até aqui, foram confirmados 2.412 casos e 926 óbitos.

A pasta também destaca que não há risco de transmissão entre humanos no Brasil, já que o vírus com esse tipo de infecção envolvendo o navio que circulou pela América do Sul não existe no país.

Ou seja, os casos recentes registrados no Brasil, como os de Paraná, Minas Gerais e Rio Grande do Sul, não têm relação nenhuma com o cruzeiro. No país, os casos estão ligados ao contato com roedores silvestres infectados e não há evidências de transmissão interpessoal.

O que é hantavirose?

Hantavirose é o nome dado à doença causada pela ação do Hantavírus. Segundo a SES, ela é transmitida nas urinas, fezes, saliva ou mordida de roedores silvestres. A secretaria esclarece que existe um tipo de vírus para cada espécie do animal, e destaca que ratos urbanos (ratazana, camundongo e rato de telhado) não hospedam os hantavírus que ocorrem no Brasil.

No país, a doença ataca o sistema cardiopulmonar. Os sintomas iniciais são:

  • Febre;
  • Dor muscular;
  • Dor de cabeça;
  • Dor lombar;
  • Náusea.

A evolução do quadro pode levar o paciente à falta de ar, taquicardia, tosse seca, hipotensão e choque circulatório. 

A preocupação recente com o vírus iniciou após confirmação de um surto dentro do cruzeiro MV Hondius. Os passageiros tiveram desembarque acompanhado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) neste domingo (10).

Ou seja, um mecanismo de desembarque foi montado para impedir o contato dos passageiros do navio com a população civil, com objetivo de impossibilitar novos surtos. 

Morte em MG

Neste último fim de semana, a Secretaria de Saúde de Minas Gerais (SES-MG) confirmou a primeira morte por hantavírus no estado neste ano. E foi a primeira morte no Brasil em 2026.

O caso, notificado em fevereiro e confirmado pela Fundação Ezequiel Dias, não tem relação com o surto da doença registrado em um navio de cruzeiro que navegava no Oceano Atlântico.

Em nota, a pasta informou que o paciente, um homem de 46 anos, era residente de Carmo do Paranaíba, no Alto Paranaíba, e apresentava histórico de contato com roedores silvestres em área de lavoura.

A secretaria reforçou que a cepa de hantavírus identificada no Brasil não é transmitida de pessoa para pessoa.

Leia a nota de Antônio Prado (RS) na íntegra:

Sobre o caso de Hantavirose no município, nos manifestaremos da seguinte maneira: a paciente reside no município, em uma comunidade do interior, porém antes do Natal viajou com a família para o Litoral e, após, passou a apresentar os sintomas e, na casa da mãe, em Vale Real, procurou atendimento na unidade de referência, não retornando ao município após a saída (antes do Natal). Em Janeiro foi internada no Hospital Geral onde teve o tratamento realizado, incluindo entubação e UTI. Hoje a paciente está bem, em casa e o resultado saiu após 60 dias do ocorrido. O município, juntamente com a CEVS, após confirmação laboratorial, está tomando todas as providências cabíveis, incluindo visita nos locais por onde a paciente esteve. Cabe salientar que este foi um caso isolado, que não é uma doença pré-existente no município e que todo o protocolo está sendo executado de forma correta e responsável.”

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