União Europeia veta importação de carne bovina do Brasil a partir de setembro de 2026


União Europeia retira Brasil da lista de países autorizados a exportar produtos de origem animal
A União Europeia retirou o Brasil da lista de países autorizados a exportar para o bloco produtos de origem animal, entre eles as carnes. A mudança entra em vigor em setembro de 2026.
A decisão vem menos de duas semanas depois da entrada em vigor do acordo de livre comércio do Mercosul com a União Europeia. Os produtores brasileiros foram excluídos da lista por não atender a exigências sanitárias do bloco. A medida vale a partir de 3 de setembro, quando a União Europeia vai implantar novas regras de uso na produção animal de antimicrobianos – substâncias como antibióticos e outros medicamentos empregados para prevenir ou tratar infecções em animais. Em alguns casos, os antimicrobianos também promovem o crescimento dos animais, aumentando a produtividade.
Antes da medida desta terça-feira (12), não havia restrições para o Brasil vender aos europeus carnes de boi, frango e cavalo, além de tripas, mel e peixe. Argentina, Paraguai e Uruguai, que também fazem parte do Mercosul, não foram atingidos pelas novas regras de exportação para o bloco.
A União Europeia é o segundo maior mercado para carnes brasileiras em valor, atrás apenas da China. Em 2025, os países do bloco importaram mais de US$ 1,8 bilhão do Brasil – US$ 1 bilhão só de carne bovina.
O governo e os produtores brasileiros dizem que foram pegos de surpresa porque estavam em conversas com a União Europeia. A expectativa é de que até setembro a medida seja revogada para não prejudicar as exportações do país. O presidente da Associação Brasileira de Proteína afirmou que o Brasil já cumpre as regras sanitárias europeias.
“A gente tem certeza de que o Brasil vai conseguir explicar e mostrar o que a gente de fato faz na nossa produção. Nós não usamos antimicrobianos como promotores de crescimento e temos controles individuais que são bastante robustos”, afirma Ricardo Santin, presidente da ABPA.
União Europeia veta importação de carne bovina do Brasil a partir de setembro de 2026
Jornal Nacional/ Reprodução
Em nota, a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes disse que “a carne bovina brasileira atende aos requisitos sanitários e regulatórios dos principais mercados internacionais, com rígidos controles oficiais, sistemas de rastreabilidade e protocolos reconhecidos globalmente. Atualmente, o Brasil exporta para mais de 170 países, sustentado por um dos sistemas de inspeção e defesa agropecuária mais robustos do mundo”.
O Ministério da Agricultura informou que há 15 dias publicou como medida preventiva uma portaria proibindo o uso e a venda dos antimicrobianos empregados para engorda de gado, aves e suínos, e deu prazo até o fim de agosto para a retirada dos produtos das revendas.
“O que eu quero assegurar é que o Brasil vai responder a essas exigências e vai seguir exportando. O Brasil tem um sólido sistema de defesa agropecuária. Não por acaso, nós somos o maior exportador de proteína animal do mundo. O que a União Europeia sinaliza é que ela quer antimicrobianos zero, e nós vamos trabalhar para chegar a isso”, afirma o ministro da Agricultura, André de Paula.
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