
Donald Trump chega à China tentando evitar que duas crises explodam ao mesmo tempo. De um lado, a guerra envolvendo o Irã já pressiona o preço do petróleo e aumenta o temor de inflação no mundo inteiro. Do outro, cresce a tensão entre chineses e americanos por causa de Taiwan e da disputa tecnológica entre as duas maiores economias do planeta.
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O presidente americano terá dois dias, a partir desta quarta-feira (13), de reuniões com Xi Jinping na capital chinesa. A visita marca o reencontro dos líderes num momento em que Washington e Pequim voltaram a trocar ameaças comerciais, acusações políticas e disputas militares indiretas.
A expectativa dos dois governos é impedir que a rivalidade saia do controle.
Guerra no Irã entrou na conversa
O conflito no Oriente Médio acabou dominando parte da viagem. Antes de embarcar para Pequim, Trump deixou claro que pretende tratar do assunto diretamente com Xi Jinping.

A preocupação central hoje é o Estreito de Ormuz, corredor marítimo por onde passa cerca de 20% do petróleo consumido no mundo. O Irã ampliou a pressão sobre a região nas últimas semanas, e o mercado reagiu rapidamente.
O preço do petróleo disparou. Nos Estados Unidos, a inflação voltou a subir puxada principalmente pelos combustíveis, alimentos e transporte.
Mesmo pressionado internamente, Trump afirmou que a guerra não será decidida pelo impacto econômico.
A China acompanha o avanço do conflito com cautela. Pequim é uma das maiores compradoras de petróleo iraniano e mantém relação próxima com Teerã. Ao mesmo tempo, tenta evitar confronto direto com Washington.
Taiwan voltou ao centro da disputa
Outro tema sensível da reunião é Taiwan.

A ilha tem governo próprio e apoio militar americano, mas a China considera o território parte do país. Nos últimos meses, Pequim ampliou exercícios militares perto da região e endureceu o discurso contra os Estados Unidos.
Dias antes da chegada de Trump, o governo chinês afirmou que Taiwan está no “centro dos interesses fundamentais” da China. O recado foi interpretado como uma pressão pública antes do encontro entre os dois presidentes.
Washington mantém apoio estratégico aos taiwaneses, principalmente na área militar e tecnológica.
É justamente aí que a disputa cresce.
A batalha pelos chips e pela IA
A guerra comercial entre chineses e americanos deixou de ser apenas sobre tarifas.
Hoje, o foco principal envolve inteligência artificial, chips avançados e minerais usados em tecnologia. Os Estados Unidos tentam limitar o acesso chinês a semicondutores de última geração. A China responde ampliando investimentos próprios e fortalecendo o controle sobre minerais raros.
A disputa afeta empresas do mundo inteiro.
Não por acaso, Trump levou para Pequim uma comitiva recheada de empresários da tecnologia. Entre os nomes citados pela imprensa americana estão Elon Musk, Tim Cook e Jensen Huang.
A presença dos executivos mostra que, apesar das tensões políticas, americanos e chineses continuam profundamente ligados na economia.
O que Trump e Xi querem evitar
Nem Washington nem Pequim falam em acordo histórico. A meta imediata parece mais simples: impedir uma nova escalada.
Os dois governos tentam reduzir o risco de conflito militar acidental e evitar que a disputa econômica provoque efeitos ainda maiores sobre inflação, energia e comércio global.
O encontro também acontece num momento delicado para Trump dentro dos Estados Unidos. Pesquisas recentes mostram aumento da rejeição à guerra envolvendo o Irã, enquanto a inflação volta a preocupar a Casa Branca antes das eleições de meio de mandato.
Xi Jinping também enfrenta pressão econômica. A China desacelerou nos últimos meses e depende das exportações para manter parte da atividade industrial.
Por isso, mesmo em lados opostos de várias disputas, os dois líderes chegam à reunião sabendo que uma ruptura mais profunda pode custar caro para os dois países.
