Delegado acusado de matar PRF é nomeado diretor em setor de elite da Polícia Civil em Roraima


Delegado Paulo Henrique Tomaz Moreira.
Reprodução/Rede Amazônica/Arquivo
O delegado Paulo Henrique Tomaz Moreira, réu por envolvimento na morte do policial rodoviário federal Ivo Seixas Rodrigues, foi nomeado diretor de um departamento da Polícia Civil de Roraima. A nomeação foi assinada pelo governador interino Soldado Sampaio (Republicanos) e publicada no Diário Oficial do Estado, no dia 6 de maio.
O g1 apurou que Paulo Henrique vai comandar o Departamento de Operações Especiais (Dopes), considerado um setor de elite da Polícia Civil. Ele já ocupou o cargo em 2019.
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Procurada, a Polícia Civil informou que a designação do delegado observou os critérios legais, administrativos e institucionais vigentes, conforme as normas aplicáveis à Administração Pública. Disse ainda que Paulo Henrique é integrante efetivo da carreira de Delegado de Polícia Civil e, até o presente momento, “não possui impedimento judicial ou administrativo que restrinja o exercício de suas funções públicas” (leia a integra da nota mais abaixo).
A reportagem também tenta contato com a defesa de Paulo Henrique.
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Paulo Henrique é um dos réus no processo sobre a morte do policial rodoviário federal Ivo Seixas Rodrigues, assassinado dentro de um hotel no Centro de Boa Vista, em abril de 2018. Segundo investigações da Polícia Federal, o policial foi morto por engano durante uma ação da Polícia Civil.
Imagens de câmeras de segurança do hotel registraram o momento em que o delegado e outros policiais chegaram ao quarto de Ivo. Quando a porta é aberta, eles efetuam disparos. O policial cai ferido no chão e, minutos depois, é arrastado pelo corretor e levado ao hospital.
De acordo com a investigação da PF, os agentes foram ao hotel para abordar um suspeito ligado ao tráfico, mas acabaram confundindo a vítima.
Ivo Seixas entrou no quarto às 19h16 e cerca de três hora depois foi morto em Boa Vista
Rede Amazônica/Reprodução/Arquivo
Na época, a Polícia Civil informou que o PRF estava escoltando 19 Kg de skunk para um traficante preso e que ele havia sido morto depois de uma troca de tiros, após reagir a abordagem. No entanto, semanas depois a PF descartou a participação do PRF com o tráfico de drogas e afirmou que ele havia sido morto por engano em uma “operação desastrosa” da Polícia Civil de Roraima.
Com base nas apurações, a Polícia Federal deflagrou a operação “Farsa”, que resultou na prisão de Paulo Henrique e de outros envolvidos no caso, ainda em abril de 2018. Após a prisão, ele foi afastado do cargo de delegado.
Na época, a Federação Nacional dos Policiais Rodoviários Federais (FenaPRF) emitiu uma nota de repúdio ao Tribunal de Justiça de Roraima (TJRR) alegando demora do poder judiciário nos trâmites do processo.
Paulo Henrique e outros três policiais civis de Roraima viraram réus pelo crime em outubro de 2019. A Justiça também aceitou denúncia contra outros dois homens suspeitos de participação no homicídio.
O PRF Ivo Seixas Rodrigues estava em um hotel no Centro de Boa Vista quando ocorreu abordagem da Polícia Civil
Reprodução/Facebook/Rodrigues Seixas
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Situação judicial
A defesa de Paulo Henrique e de outros investigados recorreu ao Superior Tribunal de Justiça (STJ), alegando que os acusados agiram em legítima defesa e no cumprimento do dever legal durante a operação policial.
No entanto, em março de 2026, a ministra Maria Marluce Caldas negou o pedido e devolveu o processo as instâncias do Tribunal de Justiça de Roraima, que já havia decidido que o caso deveria ser julgado pelo Tribunal do Júri.
O Tribunal de Justiça entendeu que há indícios de homicídio com dolo eventual, quando a pessoa assume o risco de provocar a morte. Por isso, o caso será analisado por jurados, e não por um juiz sozinho.
Nota da Polícia Civil
A Polícia Civil de Roraima informa que a designação do delegado citado observou os critérios legais, administrativos e institucionais vigentes, conforme as normas aplicáveis à Administração Pública.
O servidor é integrante efetivo da carreira de Delegado de Polícia Civil e, até o presente momento, não possui impedimento judicial ou administrativo que restrinja o exercício de suas funções públicas.
A Instituição ressalta que eventuais processos judiciais em curso seguem sob apreciação do Poder Judiciário, respeitando-se o devido processo legal, o contraditório e a ampla defesa, não cabendo à Administração emitir juízo sobre matérias sub judice.
A PCRR reafirma o compromisso com a legalidade, a responsabilidade institucional, a transparência administrativa e a continuidade dos serviços prestados à sociedade.
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