
A inteligência artificial no Brasil entrou no centro das discussões da Brazilian Week 2026, em Nova York, em meio ao debate sobre capital global, produtividade e competitividade. Em entrevistas à BM&C News, Alexandre Szapiro, CEO do SoftBank, e Eduardo Vieira, sócio do SoftBank, avaliaram o papel da tecnologia na atração de investimentos e no desenvolvimento de novos modelos de negócio.
Segundo Szapiro, o SoftBank investe na América Latina desde 2019 e já alocou US$ 8 bilhões na região. O executivo afirmou que o grupo tem mais de 67 empresas no portfólio e vê empreendedores latino-americanos com capacidade de criar negócios de escala global.
“O nosso papel como venture capital é investir e trazer o capital de volta”, afirmou Szapiro.
Segundo ele, o investimento é apenas uma parte do processo. A outra envolve ajudar as empresas a gerar valor ao longo do tempo, em ciclos que podem durar três, cinco ou dez anos.
Brasil tem potencial, mas disputa capital com outros mercados
Na avaliação do CEO do SoftBank, o Brasil está em uma posição geopolítica positiva e deve ser analisado sob uma perspectiva de longo prazo. Ele afirmou que, apesar dos ciclos políticos e macroeconômicos, o país reúne características relevantes para investidores que buscam negócios ligados à tecnologia, dados e produtividade.
Szapiro destacou que o avanço da inteligência artificial deve abrir espaço para novas aplicações em setores nos quais o Brasil já possui desafios estruturais e oportunidades, como logística, sistema tributário e meios de pagamento. O executivo citou o Pix como exemplo de solução brasileira com impacto sobre o mercado.
Para ele, o país pode usar grandes bases de dados corporativos como vantagem competitiva. O Brasil, segundo Szapiro, talvez não esteja na primeira linha dos investimentos em infraestrutura pesada de IA, como data centers e modelos fundacionais, mas pode avançar na camada de aplicações.
IA pode impulsionar produtividade no Brasil
A produtividade também apareceu como ponto central da análise. Szapiro afirmou que as ferramentas de inteligência artificial podem reduzir diferenças de qualificação entre profissionais de diferentes países, desde que sejam bem utilizadas.
O executivo reconheceu, porém, que o Brasil ainda enfrenta limitações na formação de profissionais em tecnologia, engenharia e ciências, em comparação com países como Estados Unidos e China.
Mesmo assim, avaliou que a IA pode criar um “denominador mais comum” e permitir que profissionais brasileiros disputem espaço em condições mais equilibradas.
Segundo ele, novos modelos de negócio devem surgir nos próximos 10 a 15 anos, em movimento semelhante ao observado após a popularização da computação em nuvem e do iPhone.
“A única certeza que a gente tem é que novos modelos de negócio vão existir”, afirmou.
Falta de política clara pode deixar Brasil para trás
Apesar do potencial, Eduardo Vieira adotou um tom de alerta sobre a posição do Brasil na corrida global da inteligência artificial. O sócio do SoftBank afirmou que há um descompasso entre o que acontece no cenário internacional e o que poderia estar acontecendo no país.
Segundo Vieira, grande parte dos investimentos globais em IA está concentrada em infraestrutura, incluindo data centers, energia, chips e silício. Ele afirmou que o Brasil tem matriz energética limpa e tecnologia local, mas ainda não conseguiu atrair capital estrangeiro na mesma velocidade de outros países.
“O Brasil está perdendo um pouco essa oportunidade”, disse Vieira.
Para ele, a ausência de uma política estruturada de inteligência artificial, com regras, incentivos e ambiente favorável para negócios, limita a capacidade do país de competir nessa nova fase tecnológica.
Estados Unidos e China seguem na dianteira
Vieira afirmou que Estados Unidos e China estão na vanguarda tanto dos investimentos quanto das aplicações em inteligência artificial.
“As big techs americanas fazem investimentos em infraestrutura de IA em uma escala que o Brasil ainda não acompanha”, pontuou.
O executivo disse que o país precisa de um projeto claro para não ficar para trás.
“Dá tempo, mas não temos muito tempo”, afirmou.
Na avaliação dele, a velocidade da transformação tecnológica tornou a janela de reação mais curta.
Vieira também afirmou que a evolução de plataformas como ChatGPT e Claude pode mudar rapidamente o ambiente de negócios, afetando startups e modelos de negócio em ritmo acelerado. Para ele, a inteligência artificial representa uma transformação maior do que a revolução da internet.
Brazilian Week coloca o Brasil no radar do capital global
As entrevistas ocorreram dentro da cobertura da Brazilian Week 2026, com foco no papel do Brasil diante do capital global. Para os executivos, o país tem ativos importantes, como mercado consumidor, criatividade empresarial, dados e matriz energética, mas precisa transformar esse potencial em política econômica, ambiente regulatório e atração de capital.
O debate mostra que a inteligência artificial no Brasil deixou de ser apenas uma pauta tecnológica e passou a ocupar espaço na discussão sobre produtividade, investimento, indústria e crescimento econômico. A disputa global por capital exige, segundo os entrevistados, velocidade, clareza regulatória e articulação entre setor público e iniciativa privada.
*Este conteúdo integra a cobertura especial da BM&C News durante a Brazilian Week 2026, em Nova York. Uma agenda dedicada a discutir o papel do Brasil no novo ciclo de capital global.
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O post Inteligência artificial no Brasil: SoftBank vê potencial, mas aponta risco de atraso na corrida global apareceu primeiro em BM&C NEWS.
