
Governadora do DF, Celina Leão, e presidente do BRB, Nelson Souza, após reunião no Banco Central, em 30 de abril de 2026
TV Globo
O Governo do Distrito Federal enviou nesta quinta-feira (14) à Câmara Legislativa um projeto de lei que revoga a autorização para que o Banco de Brasília (BRB) comprasse participação no Banco Master.
O texto, assinado pela governadora Celina Leão (PP), pede tramitação em regime de urgência.
➡ Em agosto do ano passado, o ex-governador Ibaneis Rocha enviou à CLDF, também em regime de urgência, o projeto que autorizou o BRB a adquirir 49% das ações ordinárias e 100% das ações preferenciais do Banco Master. O texto foi aprovado em dois turnos cinco dias depois.
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Na mensagem encaminhada ao presidente da Câmara Legislativa, Wellington Luiz (MDB), Celina Leão afirma que a matéria precisa ser apreciada “com a máxima brevidade”.
Entenda a relação entre o Banco BRB e o Banco Master
Compra do Master
O negócio entre BRB e Banco Master foi anunciado em março de 2025 e previa a compra de participação relevante na instituição privada.
Na época, parlamentares da oposição questionaram a rapidez da tramitação e cobraram mais transparência sobre os ativos do Master. Durante a votação, deputados citaram dúvidas sobre a situação financeira do banco e pediram que o projeto passasse pelas comissões da Casa.
A operação também enfrentou disputas judiciais. O Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios (TJDFT) determinou que a transação precisava de autorização legislativa e aprovação dos acionistas para ser concluída.
O Banco Central ainda teria de autorizar a transferência das ações.
PF investigou Banco Master
Meses após a aprovação legislativa, em novembro de 2025, o Banco Master passou a ser alvo da Operação Compliance Zero, da Polícia Federal, por um esquema de fraudes financeiras envolvendo a venda de títulos de crédito falsos.
Miriam Leitão: BRB é o caso mais concreto de corrupção no Master
Segundo os investigadores, o Banco Master emitia Certificados de Depósito Bancário (CDBs) com promessa de rendimentos de até 40% acima da taxa básica do mercado.
Já em abril deste ano, uma nova fase da operação levou à prisão do ex-presidente do BRB Paulo Henrique Costa. Segundo a Polícia Federal, ele é suspeito de não seguir práticas de governança e permitir negócios com o Banco Master sem lastro.
Para a PF, a negociação para aquisição de participação no banco privado foi apresentada como uma alternativa para evitar a quebra da instituição.
No entanto, o Banco Central teria vetado a operação após concluir que não havia viabilidade econômico-financeira e que o negócio poderia transferir riscos excessivos ao banco público.
Além da tentativa de compra, a Polícia Federal apura se o BRB adquiriu carteiras de crédito problemáticas do Master e se houve falhas nos processos internos de análise e governança.
Paulo Henrique Costa presidia o BRB durante as negociações e é investigado pela atuação nas tratativas e aprovação das operações sob suspeita (veja o vídeo abaixo).
Quem é Paulo Henrique Costa, ex-presidente do BRB preso pela PF
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