Esta vila amazônica conquistou o título de praia de água doce mais bonita do mundo

No oeste do Pará, banhada pelo Rio Tapajós, Alter do Chão reúne areia branca, água azul-turquesa e mata fechada em um só cenário. A vila de pescadores ganhou fama internacional e hoje aparece nos roteiros de quem quer descobrir o lado caribenho da Amazônia.

O apelido que veio da Inglaterra e ficou para sempre

Em 2009, o jornal britânico The Guardian incluiu a vila entre as dez praias mais bonitas do Brasil e a elegeu como a praia de água doce mais bela do mundo. O reconhecimento internacional virou apelido, e o lugar passou a ser chamado de Caribe Amazônico.

O motivo da fama está na geografia. As águas claras e ácidas do Tapajós não favorecem a proliferação de mosquitos e refletem o céu em tons que variam entre o verde-esmeralda e o azul-turquesa, dependendo da luz e da profundidade.

O destino também acumulou prêmios nacionais. Em 2021, foi eleito o Melhor Destino Turístico Nacional pelo Prêmio UPIS, com 97,55% dos votos, à frente da Chapada Diamantina e do Jalapão.

Alter do Chão oferece do mergulho em águas mornas à imensidão da floresta nacional // Créditos: Wikipedia

Quatro séculos de história escondidos na praça da vila

A vila foi fundada em 6 de março de 1626, pelo português Pedro Teixeira, sobre uma antiga aldeia dos indígenas Borari. O nome veio em 1758, quando o governador Francisco Xavier de Mendonça Furtado rebatizou o lugar em homenagem a uma vila portuguesa homônima.

No coração do balneário fica a Igreja de Nossa Senhora da Saúde, padroeira do destino e ponto de encontro nas noites de fim de semana. Em 2022, a vila foi declarada patrimônio cultural do estado pela Lei Estadual 9.543, e os catraieiros, barqueiros que levam visitantes de canoa até a Ilha do Amor, foram reconhecidos como patrimônio imaterial do município.

Alter do Chão encanta com o pôr do sol no Cururu e o vigor da culinária paraense // Créditos: Wikipedia

O que fazer no Caribe Amazônico além das praias?

A resposta começa na água, mas vai muito além dela. O destino combina passeios de barco, trilhas e imersão em comunidades ribeirinhas. Entre os principais atrativos da vila, destacam-se:

  • Ilha do Amor: cartão-postal do destino, um banco de areia que surge na seca em frente ao centrinho. Chega-se em poucos minutos de catraia.
  • Floresta Encantada: braço do Tapajós com vegetação alagada, percorrido em canoa silenciosa entre raízes e troncos submersos.
  • Ponta do Cururu: dunas que se estendem dentro do rio, com o pôr do sol mais comentado da região.
  • Lago Verde: formado por 14 nascentes, com passeios de canoa entre igarapés e fauna preservada.
  • Serra Piroca: trilha leve que recompensa com vista panorâmica da vila, do lago e do rio em um só quadro.
  • Rio Arapiuns: afluente com praias desertas e comunidades que recebem turistas para almoço, artesanato e farinha caseira.

Quem deseja vivenciar um dos destinos amazônicos mais surpreendentes do mundo, vai curtir este vídeo especialmente selecionado do canal Rolê Família, que já conta com mais de 68 mil visualizações, onde é apresentado um guia completo com dicas de passeios, hospedagem e preços para Alter do Chão, Pará:

Sabores da floresta nas barracas e nos restaurantes

A culinária paraense é uma das mais autênticas do país e tem nos peixes de rio seu maior trunfo. As barracas à beira d’água servem os pratos típicos em ritmo descontraído, enquanto restaurantes da vila oferecem versões mais elaboradas.

  • Tambaqui na brasa: peixe gigante do Tapajós assado inteiro nas barracas da Ilha do Amor.
  • Pirarucu: o maior peixe de escamas de água doce do mundo, servido grelhado ou em pirão.
  • Tacacá: caldo de tucupi com goma de mandioca, jambu e camarão seco, tomado quente em cuia.
  • Pato no tucupi: prato tradicional do Pará, com o pato cozido no caldo amarelo extraído da mandioca.
  • Açaí paraense: servido puro, sem açúcar, geralmente acompanhado de farinha de tapioca.

Quando ir para encontrar a vila em sua melhor forma?

A melhor época para visitar o destino vai de agosto a dezembro, quando o rio baixa e as praias de areia branca aparecem em toda a extensão. Esse é o período em que a Ilha do Amor ganha sua forma clássica e o cenário caribenho aparece nas fotos.

Entre janeiro e julho o rio enche e cobre as praias, mas o cenário muda para algo igualmente especial: a floresta alagada vira o palco principal, com passeios de canoa entre as árvores. Em setembro acontece o Festival do Sairé, manifestação cultural antiga que mistura ritual religioso e a disputa folclórica dos botos cor-de-rosa.



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Cheia
Fevereiro a Julho
24°C a 32°C

As águas do rio enchem e cobrem as praias de areia. Vivencie um cenário mágico embarcando num inesquecível passeio na floresta alagada.
🌧 CHUVA ALTA

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Início da seca
Agosto a Setembro
25°C a 33°C

As praias de areia branca começam a ressurgir da água! Participe da espetacular disputa folclórica no cobiçado evento Sairé e as praias surgindo.
☀ CHUVA BAIXA

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Auge da seca
Outubro a Novembro
26°C a 34°C

A melhor época! Chuvas muito raras revelam todo o esplendor do cenário caribenho brasileiro. É a alta temporada das praias e a linda Ilha do Amor.
⭐ MELHOR ÉPOCA

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Fim da seca
Dezembro a Janeiro
25°C a 33°C

O volume dos rios inicia a sua subida gradual. As águas revigorantes deixam a vila encantadora para passar o Réveillon e realizar o banho de rio.
🌤 CHUVA MÉDIA



Temperaturas aproximadas com base no Climatempo para Santarém. Condições podem variar.

Como chegar até a vila balneária do Tapajós?

O acesso é feito pelo Aeroporto Internacional de Santarém, que recebe voos diários de Belém, Brasília e Manaus. De Santarém até a vila são cerca de 37 km pela rodovia estadual Everaldo Martins (PA-457), em trajeto asfaltado de 40 a 60 minutos.

Também é possível chegar de barco pelo Rio Amazonas, em travessias de Belém ou Manaus que podem durar até dois dias, conforme informações do Portal do Turismo de Santarém.

Por que o destino virou referência em turismo sustentável?

Em outubro de 2025, o balneário recebeu o Selo Silver da Green Destinations, um dos certificados mais relevantes do mundo para destinos sustentáveis. O reconhecimento veio durante o encerramento do projeto Sebrae COP 30 e validou ações de preservação ambiental, valorização cultural e desenvolvimento econômico responsável.

O movimento turístico também bateu recordes. Segundo a Prefeitura de Santarém, o réveillon de 2026 na Virada Alter reuniu entre 25 e 30 mil pessoas no Lago dos Botos, com presença de turistas de Mato Grosso, São Paulo, Paraná, Rio de Janeiro, além de visitantes da Austrália, França e Estados Unidos.

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Uma vila que cabe em poucos dias e fica para sempre

Poucos lugares no Brasil reúnem tantas camadas em um espaço tão pequeno: praia de cinema, floresta viva, cultura ribeirinha e gastronomia que só existe ali. A vila prova que dá para conhecer a Amazônia com conforto e sem abrir mão da autenticidade.

Você precisa subir o Tapajós e conhecer Alter do Chão, o pedaço de Caribe que o Brasil escondeu no meio da floresta.

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