
Imagem mostra um pedaço do mapa da teia cósmica. O ponto à esquerda representa os dias de hoje; quanto mais para fora, mais antiga é a galáxia. As áreas amarelas são as regiões cheias de galáxias, e as escuras, os vazios entre elas.
Hossein Hatamnia/UC Riverside
Um grupo internacional de astrônomos divulgou nesta semana o mapa mais detalhado já produzido da chamada teia cósmica, a estrutura gigantesca que funciona como o esqueleto do Universo (veja ACIMA).
A imagem é apenas um recorte do trabalho: o levantamento completo catalogou 164 mil galáxias e foi disponibilizado gratuitamente pela equipe em um repositório online. Como o mapa é tridimensional e cobre bilhões de anos de história, não há uma única imagem capaz de mostrar toda a estrutura de uma só vez.
Mas o evantamento conseguiu rastrear a rede de galáxias até uma época em que o cosmos tinha “apenas” 1 bilhão de anos de idade.
A pesquisa foi liderada por cientistas da Universidade da Califórnia em Riverside (UCR), nos Estados Unidos, com participação de pesquisadores de outros nove países, incluindo Dinamarca, Chile, França, Japão e Alemanha. O estudo foi publicado no periódico científico “The Astrophysical Journal”.
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A teia cósmica é a forma como a matéria está organizada em larga escala no universo. Em vez de estarem espalhadas de maneira uniforme, as galáxias se distribuem ao longo de filamentos e folhas formadas por gás e matéria escura. Entre essas estruturas existem vazios imensos, regiões praticamente sem nada.
🧽Uma analogia possível é a de uma esponja: as paredes finas representam os filamentos onde se concentram as galáxias, e os buracos correspondem aos vazios.
É essa arquitetura que conecta galáxias e aglomerados em uma única estrutura que se estende por bilhões de anos-luz.
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Mapas anteriores da mesma região do céu já haviam sido feitos com o Telescópio Espacial Hubble.
A diferença, segundo os autores, é que o James Webb consegue enxergar muito mais longe e com mais nitidez. O telescópio capta luz infravermelha, o que permite atravessar a poeira cósmica e detectar galáxias muito tênues e distantes que antes passavam despercebidas.
“O salto em profundidade e resolução é realmente significativo, e agora podemos ver a teia cósmica em uma época em que o universo tinha apenas algumas centenas de milhões de anos, uma era que estava essencialmente fora de alcance antes do James Webb”, disse Bahram Mobasher, professor de física e astronomia da UCR e coautor do estudo, em comunicado.
Segundo o pesquisador, estruturas que pareciam únicas nos mapas antigos se revelaram, na verdade, conjuntos de várias outras estruturas menores. Detalhes que antes apareciam borrados agora podem ser observados com clareza.
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AP/Esteban Felix
Como o mapa foi feito
Os dados vieram do programa COSMOS-Web, o maior levantamento já realizado com o James Webb. O projeto observou uma área do céu equivalente ao tamanho de três luas cheias e catalogou 164 mil galáxias.
Hossein Hatamnia, aluno de pós-graduação da UCR e principal autor do estudo, explicou que duas características do telescópio se combinaram para tornar o mapa mais preciso.
“O telescópio detecta muitas galáxias mais tênues no mesmo trecho do céu, e as distâncias até essas galáxias são medidas com muito mais precisão”, afirmou. “Cada galáxia pode, portanto, ser colocada na fatia correta do tempo cósmico, o que aumenta a resolução do mapa.”
Olhar para galáxias distantes é, na prática, olhar para o passado. A luz dessas galáxias leva bilhões de anos para chegar até a Terra, então o que se vê hoje é como elas eram naquela época.
Com isso, os cientistas conseguem acompanhar como a teia cósmica foi se formando e se transformando ao longo de quase 14 bilhões de anos.
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