Vai pegar? STF valida lei que iguala salário de homens e mulheres

Por unanimidade, plenário do STF reconhece a constitucionalidade da Lei de igualdade salarial entre homens e mulheres Antonio Augusto / STF

Por unanimidade, (10 votos a 0), o plenário do Supremo Tribunal Federal (STF) validou, nesta quinta-feira (14), a Lei 14.6111 de 2023, sancionada pelo presidente Lula, obrigando as empresas a garantir a igualdade salarial entre homens e mulheres, desde que exerçam a mesma função.

Lei altera CLT

A lei alterou a CLT, estipulando que a empresa que praticar discriminação salarial por motivo de gênero deverá pagar multa equivalente a dez vezes o valor do salário que estiver fixado para o cargo.

As empresas com mais de 100 empregados passam a ser obrigadas também a divulgar relatórios de transparência salarial a cada semestre.

Julgamento

O julgamento foi provocado por três ações: uma impetrada pela CUT para garantir a aplicação da lei (Ação Declaratória de Constitucionalidade – ADC), e outras duas contrárias à norma, protocoladas, respectivamente, pela Confederação Nacional de Indústria (CNI) e pelo Partido Novo (Ação Direta de Inconstitucionalidade – ADI).

Votos

Ao declarar seu voto favorável à constitucionalidade da lei, o ministro-relator, Alexandre de Moraes, afirmou não ser possível ” a construção de uma sociedade livre, justa e solidária se houver discriminação de gênero entre mulheres e homens, sendo que mulheres são 51,5% da população brasileira”.

Todos os outros nove ministros votaram com o relator.

Só a Lei não basta

Para a ministra Cármen Lúcia, única mulher da Corte, a nova lei é importante, mas não é suficiente para superar o preconceito contra as mulheres.

“O preconceito não passa, ele continua na ordem do dia da maneira mais perversa e cruel. Falo de cátedra. Todas nós mulheres passamos de uma forma ou de outra”, afirmou.

Cármen Lúcia parafraseou a escritora, cantora, compositora e poetisa brasileira Carolina de Jesus (1914/1977), assinalando que “antigamente o que oprimia era a palavra calvário, agora é o salário”.

“O preconceito é no olhar, em uma palavra, no riso debochado, em um tipo de desvalor para além daquele que é escancarado”, disse.

A Lei chega com enorme atraso, mas como se vê pela iniciativa do governo Lula e pelos discursos dos ministros do STF, e o reconhecimento da Corte, é superimportante e  mais do que necessária.

Ela é fundamental para o Brasil alcançar um novo patamar de civilidade.

Lula e o Supremo fizeram suas partes.

Agora, resta saber se os empresários cumprirão a Lei ou trabalharão para que ela se torne mais uma daquelas normas, que insistem em “não pegar” no Brasil.

 

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