
A operação da Polícia Federal que teve como alvo o ex-governador Cláudio Castro na manhã desta sexta-feira (15) é mais um capítulo da crise política envolvendo a cadeira de governador do Estado do Rio de Janeiro que, entre prisões, afastamentos, impeachment, cassações e condenações eleitorais, soma agora sete investigados desde a década de 1990. Hoje, Castro foi alvo da Operação Sem Refino, que mira um grupo do setor de combustíveis suspeito de ocultar patrimônio e enviar dinheiro ao exterior.
Relembre os casos dos últimos governadores do Rio
Moreira Franco (1987–1991) Ex-governador e ex-ministro, Moreira Franco foi preso em março de 2019 em um desdobramento da Operação Lava Jato. A investigação apontava suspeitas de negociação de propina envolvendo obras da usina nuclear Angra 3. Ele ficou preso por quatro dias e respondeu ao processo em liberdade. Anthony Garotinho (1999–2002) Garotinho foi preso diversas vezes desde que foi governador do estado. As variadas investigações envolveram acusações de corrupção, organização criminosa, compra de votos e irregularidades eleitorais. Em diferentes momentos, ele chegou a ser detido pela Polícia Federal e pela Justiça Eleitoral, mas recorreu das decisões, está em liberdade, e é pré-candidato a deputado federal nas eleições desse ano. Rosinha Garotinho (2003–2006) Rosinha foi presa em 2017 ao lado do marido, Anthony Garotinho, durante uma operação ligada a crimes eleitorais e corrupção. A ex-governadora permaneceu cerca de uma semana detida e depois passou a responder ao processo em liberdade. Sérgio Cabral (2007–2014) Cabral talvez seja o principal símbolo quando o assunto é a crise política do Rio de Janeiro. Preso em 2016 durante a Lava Jato, o ex-governador foi condenado em diversas ações por corrupção passiva, lavagem de dinheiro e organização criminosa. Somadas, as penas ultrapassam 200 anos de prisão. Cabral está solto desde dezembro de 2022, após cumprir cerca de seis anos de prisão preventiva, Ele foi liberado por decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) e, posteriormente, teve a prisão domiciliar revogada, vivendo hoje em liberdade com uso de tornozeleira eletrônica. Luiz Fernando Pezão (2014–2018) Sucessor de Cabral, de quem foi vice-governador, Pezão foi preso em novembro de 2018, ainda no exercício do cargo, também em uma operação da Lava Jato. Segundo o Ministério Público Federal, ele teria mantido o esquema de corrupção herdado da gestão anterior. Posteriormente, o ex-governador ainda foi condenado pela Justiça Eleitoral por abuso de poder político e econômico relacionado às eleições de 2014.
Wilson Witzel (2019–2021) Recém eleito, Witzel foi afastado do cargo em agosto de 2020 por decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ), sob suspeita de irregularidades em contratos da saúde durante a pandemia de Covid-19. Em 2021, ele se tornou o primeiro governador do Rio de Janeiro, desde a redemocratização, a sofrer impeachment. Em 2026, Witzel tenta retornar ao cargo e aparece na corrida eleitoral como pré-canditado ao Governo do Estado. Cláudio Castro (2021–2026) Vice-governador na gestão de Witzel, Castro foi quem assumiu a cadeira principal após o impeachment do seu companheiro de chapa e foi reeleito em 2022, ainda no primeiro turno. Além de ser alvo da Operação Sem Refino, da Polícia Federal, Castro, seria o Governador em exercício até o final deste ano, mas renunciou ao cargo para disputar o Senado. Porém, acabou declarado inelegível pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob acusação de abuso de poder político e econômico, além de captação ilícita de recursos nas eleições de 2022. A punição vale até 2030.
