Após operação da PF, dono da Refit é dado como foragido

Ricardo Magro, o dono da RefitReprodução Redes Sociais

O empresário Ricardo Magro, dono do Grupo Refit (antiga Refinaria de Manguinhos), virou alvo de uma nova ofensiva da Polícia Federal (PF) nesta sexta-feira (15). Considerado um dos maiores devedores de impostos do país, ele teve o nome incluído peloórgão no pedido de Difusão Vermelha da Interpol, mecanismo usado para localizar procurados internacionais.

  • ENTENDA O CASO: Cláudio Castro é alvo de operação da PF no Rio de Janeiro

A medida foi tomada durante a Operação Sem Refino, que mira um grupo do setor de combustíveis suspeito de esconder patrimônio, usar empresas para dificultar o rastreamento de dinheiro e enviar recursos ao exterior. Magro é considerado foragido.

A operação também teve como alvo o ex-governador do Rio de Janeiro Cláudio Castro (PL). Policiais federais estiveram na casa dele, em um condomínio de luxo na Barra da Tijuca, Zona Oeste da capital fluminense, para cumprir mandados de busca e apreensão.

Os agentes chegaram por volta das 6h. Cerca de duas horas e meia depois, deixaram o prédio carregando malotes.

Ao todo, a Justiça autorizou 17 mandados de busca e sete afastamentos de funções públicas no Rio de Janeiro, em São Paulo e no Distrito Federal. Também determinou o bloqueio de cerca de R$ 52 bilhões em bens, contas e ativos financeiros ligados aos investigados.

Empresas do grupo tiveram as atividades suspensas.

A operação foi autorizada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) e tem apoio da Receita Federal.

Quem é Ricardo Magro

Ricardo Magro comanda o Grupo Refit, responsável pela antiga Refinaria de Manguinhos, no Rio de Janeiro. O nome dele aparece há anos em investigações sobre fraudes fiscais, lavagem de dinheiro e operações no setor de combustíveis.

Em novembro do ano passado, o grupo já havia sido alvo da Operação Poço de Lobato, conduzida pelo Comitê Interinstitucional de Recuperação de Ativos de São Paulo (CIRA/SP). Na época, investigadores apontaram um prejuízo superior a R$ 26 bilhões aos cofres públicos.

O Ministério Público de São Paulo chegou a classificar a Refit como a maior devedora de ICMS do estado.

As investigações apontam que empresas ligadas ao grupo eram usadas para importar combustíveis, movimentar recursos e ocultar patrimônio por meio de offshores, holdings e instituições financeiras.

Em outra frente, a Operação Carbono Oculto, realizada em agosto de 2025, investigou possíveis ligações entre empresas do setor de combustíveis e integrantes do Primeiro Comando da Capital (PCC).

  • SAIBA MAIS: como surgiu a maior facção criminosa do país

Na ocasião, uma empresa ligada ao Grupo Refit foi alvo da ação. Quatro navios carregados com cerca de 180 milhões de litros de combustível chegaram a ser retidos.

O que a PF investiga agora

Claudio Castro (PL)Foto: Cadu Barbosa

Segundo a Polícia Federal, a Operação Sem Refino apura suspeitas de fraudes tributárias, ocultação de patrimônio e irregularidades envolvendo operações da refinaria ligada ao grupo.

Os investigadores afirmam que o esquema usava empresas em nome de terceiros e movimentações financeiras complexas para esconder bens e dificultar o rastreamento do dinheiro.

A PF também apura possíveis conexões entre empresários investigados e agentes públicos no Rio de Janeiro.

Entre os alvos da operação estão o desembargador afastado Guaraci Vianna, o ex-secretário estadual de Fazenda Juliano Pasqual e o ex-procurador do estado Renan Saad.

O iG não conseguiu contato com as defesas dos citados. O espaço segue aberto.

Adicionar aos favoritos o Link permanente.