
Dinheiro encontrado na casa de um policial civil alvo da Operação Sem Refino
Divulgação
A investigação da Polícia Federal que deu origem à Operação Sem Refino, deflagrada na manhã desta sexta-feira (15), identificou indícios da participação direta de policiais federais e civil no esquema criminoso associado à Refit.
De acordo com as investigações, um escrivão lotado na Delegacia da Polícia Federal em Nova Iguaçu teria atuado como operador do grupo, utilizando um telefone clandestino registrado em nome de uma pessoa já falecida para manter contato com outros investigados. As análises apontam que a linha era usada de forma contínua em comunicações estratégicas com fiscais e intermediários ligados ao esquema.
Segundo a PF, o uso dessas linhas tinha como objetivo dificultar o rastreamento das comunicações e manter as atividades ilícitas sob anonimato, por meio da utilização de contas telefônicas registradas em nome das pessoas mortas.
No total, agentes saíram para cumprir 17 mandados de busca e apreensão na manhã desta sexta (15), entre eles um contra o ex-governador Cláudio Castro. Moraes ainda determinou 7 medidas de afastamento de função pública.
Claudio Castro (PL)
Fernando Frazão/Agência Brasil
A identificação do policial ocorreu após o cruzamento de dados técnicos. De acordo com o documento, o aparelho utilizado pelo suposto operador acessou sistemas por meio de um endereço de IP vinculado à rede interna da própria Polícia Federal. Os registros foram associados ao login funcional de um escrivão.
Além dele, outro escrivão aparece vinculado ao mesmo núcleo de contatos. Para os investigadores, o fato reforça a suspeita de que o grupo possuía ramificações dentro das forças de segurança.
Informações privilegiadas aos investigados
A investigação também aponta irregularidades na atuação de um policial civil do Rio responsável por uma apuração preliminar relacionada ao caso. Na manhã desta sexta, a polícia apreendeu R$ 500 mil na casa do agente.
A Polícia Federal aponta que a atuação do policial civil comprometeu a investigação, pois ele teria dado informações privilegiadas aos investigados, o que pode ter beneficiado os suspeitos. Na avaliação dos federais, essas medidas comprometeram a coleta de provas.
O policial civil também teria ligação com um lobista apontado como intermediário da organização, o que levanta suspeitas de possível interferência indevida nas investigações.
Para a Polícia Federal, o conjunto de elementos indica que o esquema investigado extrapolava práticas empresariais ilícitas e fraudes fiscais, alcançando órgãos públicos e até agentes responsáveis pela repressão a crimes.
