Empreendedorismo, IA e liderança: o que move negócios em transformação

No Money Report TV, da BM&C News, o apresentador Aluizio Falcão recebeu Ricardo Bellino, Maurício Honorato e Augusto Cruz Neto para uma conversa sobre empreendedorismo, inteligência artificial, liderança, saúde mental e os desafios de construir negócios em um ambiente marcado por mudanças tecnológicas, pressão por resultado e excesso de informação. A discussão reuniu trajetórias pessoais, leitura de mercado e experiências práticas sobre o que diferencia empresas e empreendedores em setores competitivos.

A partir de sua experiência como empresário e dealmaker, Ricardo Bellino explicou que o conceito de elevator pitch, base de seu novo programa, nasceu de uma experiência pessoal com Donald Trump, há mais de duas décadas. Para ele, apresentar uma ideia em poucos minutos não significa vender um projeto inteiro, mas criar conexão, gerar empatia e abrir espaço para uma conversa de negócios.

“Na verdade, eu entendi que em 3 minutos você não vende uma ideia, mas você se conecta com as pessoas e você pode criar empatia em 3 minutos”, afirma Ricardo Bellino.

Comunidades entram no centro da economia real

Bellino também defendeu que o empreendedorismo brasileiro precisa olhar com mais atenção para os negócios que nascem nas comunidades. Segundo ele, há uma economia real formada por milhões de consumidores e empreendedores, mas que ainda tem pouco acesso a visibilidade, capital, mentoria e espaços de validação.

Na avaliação do empresário, o programa busca dar voz a empreendedores das favelas e comunidades, com projetos ligados a logística, cosméticos, alimentação e outros segmentos. A proposta é democratizar oportunidades e mostrar negócios criados a partir de necessidades concretas, mas com potencial de escala.

“Nós decidimos privilegiar essas pessoas no que eu chamo de um IPO social. Nós vamos dar democratizar essa oportunidade”, destaca Ricardo Bellino.

Inteligência artificial avança na saúde e amplia acesso

Maurício Honorato, CEO da Dr. EAI, relacionou sua trajetória pessoal à criação de uma empresa de inteligência artificial voltada ao mercado de medicina. Nascido e criado na periferia do Rio de Janeiro, ele contou que a morte do pai, que aguardava um transplante de coração pelo SUS, foi um dos fatores que o levaram a buscar uma solução capaz de ampliar acesso, diagnóstico e segurança do paciente.

Ao longo da conversa, Honorato explicou que sua formação técnica, sua passagem por multinacionais e sua experiência na área financeira ajudaram a construir a base para o empreendedorismo. No entanto, ele afirmou que a vivência pessoal e a necessidade de resolver problemas reais foram decisivas para dar sentido ao projeto.

“Meu pai morreu na fila do SUS esperando por um transplante de coração, sem instrução, sem diagnóstico, sem visibilidade. E isso fez com que um dia eu pudesse contribuir e devolver algo para sociedade”, relata Maurício Honorato.

Marca, distribuição e escala no setor farmacêutico

Augusto Cruz Neto, CMO da EMS, explicou que sua transição da publicidade para o empreendedorismo foi marcada pela tentativa de simplificar a comunicação no mercado de suplementos. Na Vitamínice, a estratégia foi transformar produtos técnicos em benefícios diretos para o consumidor, como imunidade, concentração, calma e sono, com linguagem acessível e posicionamento claro.

O executivo também destacou que, no setor farmacêutico, uma boa marca não basta se não houver capacidade de distribuição, capital de giro e conhecimento de trade. Segundo ele, a empresa saiu de zero para 10 mil pontos de venda em seis meses, mas a estrutura do varejo farmacêutico brasileiro impõe desafios relevantes para quem busca escala.

“Eu gosto de dizer, o setor farmacêutico parece simples no Brasil, mas não é. São 98.000 farmácias, das quais 70.000 correspondem por 50% do negócio”, observa Augusto Cruz Neto.

Redes sociais, saúde mental e o custo dos atalhos

A conversa também avançou para a relação entre empreendedorismo, redes sociais e saúde mental. Bellino criticou a cultura dos atalhos, na qual sucesso, riqueza e aparência passam a ser tratados como produtos de consumo imediato, sem o processo de esforço, frustração e aprendizado que costuma acompanhar a construção de empresas.

Nesse ponto, os convidados relacionaram o excesso de informação, a comparação permanente e a busca por validação nas redes sociais a um ambiente de ansiedade e baixa clareza. Para Bellino, a resposta passa por verdade, autoconhecimento e capacidade de dizer não a padrões que não correspondem à realidade de cada pessoa.

“Eu tenho que aceitar que as coisas têm um esforço, recompensa e um preço para pagar”, pontua Ricardo Bellino.

Criatividade, rua e execução como diferencial competitivo

Maurício Honorato trouxe o conceito de “street intelligence” para explicar como a experiência prática pode complementar a formação técnica. Para ele, a vivência na rua, a necessidade real e a capacidade de executar com disciplina ajudam a formar empreendedores e profissionais mais resilientes.

Augusto Cruz Neto seguiu raciocínio semelhante ao falar sobre criatividade. Para o executivo, boas ideias surgem da observação do comportamento, da rua e da jornada real das pessoas. Nesse contexto, a inteligência artificial pode acelerar processos, mas não substitui intuição, repertório e compreensão direta do consumidor.

“Então eu acho que a pessoa que executa mesmo, aquela pessoa que é o braço, o motor de propulsão de qualquer negócio hoje no Brasil. Óbvio que você precisa ter estratégia, precisa ter modelo de negócio, precisa ter o ângulo correto, mas a execução é o que faz a diferença”, analisa Maurício Honorato.

Liderança híbrida exige comunicação, prioridade e conexão

No bloco final, o debate passou pela liderança em tempos de trabalho híbrido. Augusto Cruz Neto defendeu uma gestão baseada em respeito, divisão de sucessos e fracassos e comunicação direta com as equipes. Para ele, muitas organizações perderam qualidade de interação ao substituir conversas presenciais por mensagens e e-mails, mesmo quando as pessoas estão próximas fisicamente.

A síntese do Money Report aponta para um empreendedorismo menos apoiado em fórmulas prontas e mais dependente de clareza, execução, repertório e capacidade de adaptação. Em um ambiente de inteligência artificial, novos canais de venda, mudanças no trabalho e pressão por resultados, a vantagem competitiva tende a estar na combinação entre tecnologia, leitura humana e disciplina para transformar ideias em negócios sustentáveis.

“A primeira coisa é  você ter um uma ética de respeito pelo próximo e saber que aquele cara, ele tá no carro com você ou no barco com você remando pro mesmo lado”, conclui Augusto Cruz Neto.

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