Observamos os impactos macroeconômicos de um cenário em que o petróleo permaneça acima de US$ 90 por barril durante os próximos meses, em meio ao aumento das tensões envolvendo Irã, Estreito de Ormuz e possíveis intervenções internacionais.
A principal conclusão é que, no estágio atual do conflito, os incentivos ainda favorecem uma escalada entre as partes. O Irã ainda possui capacidade relevante de gerar danos ao mercado de energia, especialmente através do Estreito de Ormuz e de ações indiretas na região. As negociações tendem a acontecer apenas quando os custos econômicos e militares se tornarem excessivos para ambos os lados.
Em um cenário de petróleo acima de US$ 90, a inflação global tende a voltar a acelerar de forma relevante. Europa, Japão, Coreia do Sul e países do Leste Europeu aparecem como os mais vulneráveis ao choque energético, enquanto EUA, Canadá e Brasil estariam relativamente mais protegidos devido à menor dependência externa de energia.
Nossas estimativas indicam que a inflação poderia ficar entre 0,5% e 2% acima das metas dos bancos centrais, dependendo do país e da duração do choque no petróleo.
Também avaliamos que os mercados já precificam respostas bastante diferentes entre os bancos centrais. O BCE tende a adotar uma postura mais hawkish, enquanto Banco da Inglaterra e Banco do Japão mostram cautela e preocupação com o choque inflacionário. O Banco Central do Brasil continua sendo visto como relativamente rígido na condução monetária.
Vale observar alguns possíveis riscos de países que optarem por subsidiar energia sem elevar juros podendo enfrentar desvalorização cambial, pressão nos títulos públicos longos e perda de credibilidade fiscal.
Entre os principais impactos de mercado que consideramos mais prováveis nesse cenário estão:
* alta adicional dos juros curtos na Europa;
* inclinação da curva americana;
* maior vulnerabilidade da libra esterlina;
* fortalecimento potencial do dólar canadense;
* pressão sobre os títulos longos japoneses;
* fragilidade maior nas moedas do Leste Europeu.
Por fim, o cenário reforça que, em momentos de choque energético e de alavancagem global, o dólar continua funcionando como um importante ativo de proteção. Além disso, ativos defensivos como ouro, prata, bonds e estratégias de hedge voltam a ganhar relevância dentro dos portfólios (safe haven)
A permanência do petróleo acima de US$ 90 por vários meses teria potencial para reacender pressões inflacionárias globais, elevar a volatilidade nos mercados e aumentar a diferença de desempenho entre países importadores e exportadores de energia.
*Coluna escrita por Francisco Alves, operador de mercado e apresentador do Pre-Market na BM&C News
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