Desenhada em formato de leque ao norte da Linha do Equador: a única capital brasileira totalmente no Hemisfério Norte

De cima, o centro de Boa Vista parece um leque aberto sobre o cerrado amazônico. Avenidas radiais saem de uma praça circular e se espalham em todas as direções, formando o desenho urbano mais incomum entre as capitais do Brasil, e o único totalmente acima da Linha do Equador.

A única capital brasileira que fica inteira no Hemisfério Norte

Posicionada na margem direita do rio Branco, Boa Vista é a capital estadual mais setentrional do país e a única localizada integralmente ao norte da Linha do Equador. É também a mais distante de Brasília, separada por mais de 2.500 km da capital federal.

O município ocupa 5.117 km² e concentra cerca de dois terços da população de Roraima. No Censo de 2024 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a cidade registrou 470.169 habitantes, mantendo o posto de maior centro urbano do estado. A posição geográfica também explica o clima: tropical úmido com temperatura média de 28°C e chuvas que ultrapassam 1.700 mm ao ano.

Boa Vista, Roraima // Créditos: Wikipedia / Wikimedia Commons

O concurso de 1944 que escolheu o engenheiro carioca para projetar a capital

Em 13 de setembro de 1943, o presidente Getúlio Vargas criou o Território Federal do Rio Branco e enviou o capitão Ene Garcez dos Reis como primeiro governador. A nova administração realizou uma concorrência pública para escolher o plano urbanístico que daria forma à futura capital amazônica.

O concurso foi vencido em 21 de setembro de 1944 pela empresa Riobras Industrial Ltda, do engenheiro civil Darcy Aleixo Derenusson. Formado pela antiga Escola Politécnica Nacional, hoje Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Derenusson havia participado do Plano Diretor de Volta Redonda e tido contato direto com Atílio Correia Lima, o urbanista que projetou Goiânia. Mais detalhes no perfil do engenheiro publicado pela Folha de Boa Vista.

A inspiração não foi Paris: o filho do engenheiro desfez o mito

Por décadas, circulou em Roraima a versão de que o traçado em leque era inspirado nas avenidas radiais de Paris. A história ficou tão consolidada que virou referência turística da cidade, repetida em guias e reportagens.

O mito foi desfeito em 2016 pelo próprio filho do engenheiro, o arquiteto Darcy Romero Derenusson, durante o lançamento do selo comemorativo do centenário do pai pela Universidade Federal de Roraima (UFRR) e pelos Correios. Em entrevista à Folha de Boa Vista, ele afirmou que o projeto se baseou no conceito de cidade-jardim, novidade urbanística da época que previa arborização, mobilidade e bairros planejados. A coincidência com Paris é estética, não conceitual.

Boa Vista, Roraima // Créditos: Wikipedia / Wikimedia Commons

Boa Vista foi a terceira capital projetada do Brasil

Antes da capital roraimense, apenas Belo Horizonte (1897) e Goiânia (1933) haviam nascido como cidades projetadas. Boa Vista entrou no clube em 1944, integrando uma tradição brasileira de planejar capitais do zero antes da construção definitiva.

O projeto original, executado entre 1944 e 1951, dividiu a cidade em cinco bairros e fez convergir as principais avenidas para a Praça do Centro Cívico Joaquim Nabuco. Ali estão hoje a Assembleia Legislativa, o Tribunal de Justiça e o Palácio do Governo. Segundo dissertação publicada pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), o plano previa duração de 25 anos e novas revisões que nunca foram feitas, mas o desenho radial sobreviveu intacto.

A praia que aparece sazonalmente do outro lado do rio Branco

Entre outubro e março, durante o período de estiagem, o rio Branco baixa e revela uma faixa de areia clara na margem oposta da cidade. O fenômeno é conhecido como Praia Grande e vira o principal ponto de lazer da capital nos meses secos, com travessia feita por catraias até o areal.

A localização privilegiada também faz da cidade ponto de partida para destinos incomuns. O Monte Roraima, tepui de 2.810 metros que marca a fronteira tríplice entre Brasil, Venezuela e Guiana, fica acessível por trilhas que começam em Pacaraima. A Serra do Tepequém, a cerca de 200 km da capital, oferece cachoeiras e piscinas naturais entre os campos abertos do cerrado roraimense.

Quem deseja descobrir por que a capital de Roraima é considerada uma das maiores surpresas do Brasil vai adorar este vídeo do canal Melhores Cidades para Morar. Com mais de 3 mil visualizações , o guia revela o planejamento urbano único em formato de leque de Boa Vista , sua localização exclusiva acima da linha do Equador e atrações incríveis como o Mirante Edileusa Lóz e as divertidas “Selvinhas Amazônicas”. Assista e conheça essa capital organizada:

Por que tanta gente troca outras capitais por uma cidade ao norte do Equador

O Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDHM) de Boa Vista é de 0,752, considerado alto pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), e o maior entre os municípios de Roraima. A rede municipal de educação é apontada como uma das melhores do Brasil em diferentes relatórios federais, com taxa de escolarização de 96,6% entre crianças de 6 a 14 anos, segundo levantamento do Governo Municipal de Boa Vista.

A cidade ainda recebeu em 2025 o título de Capital Nacional da Paçoca de Carne com Farinha, prato tradicional preparado com farinha amarela e raízes na cozinha roraimense. O cotidiano combina o ritmo amazônico, a influência indígena e a presença crescente de imigrantes venezuelanos, marca da capital que mais cresceu populacionalmente entre as brasileiras nos últimos anos.

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Conheça a capital amazônica desenhada como um leque

Boa Vista reúne traçado urbano único, posição geográfica rara e uma história de planejamento que misturou cidade-jardim, Amazônia e ocupação estratégica em uma capital ainda pouco conhecida pelo resto do país. Poucos lugares no Brasil conseguem juntar tantos contrastes em um mesmo desenho de cidade.

Você precisa atravessar a Linha do Equador e conhecer Boa Vista para enxergar o leque que o engenheiro carioca desenhou no meio do cerrado amazônico em 1944.

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