
Dois anos. Dois anos desde o dia em que o mundo parou diante do terror. Dois anos do maior massacre contra judeus desde o Holocausto.
No dia 7 de outubro de 2023, milhares de jovens se confraternizavam em um festival, perto da fronteira com a Faixa de Gaza. Era um nascer do sol de alegria, de liberdade, de música. Até que o inimaginável aconteceu.
Milhares de terroristas do Hamas, fortemente armados, invadiram o território israelense, e o que se seguiu foi uma das páginas mais sombrias da história recente. Inúmeras pessoas brutalmente assassinadas, 250 sequestradas, entre elas civis, homens, mulheres, crianças e idosos.
Os relatos que emergiram daquele dia são de uma crueldade que desafia a compreensão humana. Estupros em massa, crianças e bebês queimados vivos, assassinatos a sangue frio, corpos mutilados. Era o mal em sua forma mais pura.
E, dois anos depois, 730 dias, 48 reféns seguem em cativeiro, submetidos à fome, tortura diária, vivendo um verdadeiro inferno. Eles se tornaram símbolos de resistência e da urgência moral que o mundo silenciou, mas não pode ignorar. Quando o mundo se cala diante do terror, ele o legitima.
Desde aquele 7 de outubro, nossas vidas mudaram. O povo judeu voltou a sentir na pele o peso de ter que provar o próprio direito de existir. Em vez de empatia e solidariedade, enfrentamos olhares de desconfiança, campanhas de desinformação e uma onda crescente de antissemitismo, disfarçada de antissionismo.
Precisamos, todos os dias, explicar o óbvio. Defender Israel não é ser contra ninguém, e sim ser a favor da vida. Que lutar pela volta dos reféns é lutar por humanidade. Que desejar o fim do Hamas não é rejeitar o povo palestino, mas acreditar que nenhuma paz é possível enquanto um grupo terrorista governar pelo medo, pela opressão e pelo ódio.
O Hamas não representa a causa palestina. Representa o fanatismo. É um grupo que oprime mulheres, silencia vozes dissidentes e persegue minorias. É contra o feminismo, contra a liberdade, contra tudo o que torna a vida humana digna e plural.
Queremos, sim, a paz em Gaza, mas uma paz verdadeira, construída sobre a liberdade e a segurança, e não sobre o terror. A dor do povo palestino importa, e choramos por cada vida perdida, de ambos os lados.
Desde o dia 7 de outubro, carrego no meu pescoço um cordão confeccionado pelo Fórum das Famílias dos Reféns. Nele está escrito: “Um pedaço do meu coração segue em Gaza.”
Esse cordão é um símbolo de luto, mas também de esperança. Usamos enquanto esperamos o dia em que todos os reféns estarão de volta em suas casas.
Dois anos depois, seguimos de pé. Feridos, mas resilientes. Machucados, mas determinados. Seguimos porque acreditamos que a vida, mesmo após esse terror, é sagrada. E porque o nosso povo sempre acreditou, e continuará acreditando, que a luz é mais forte que a escuridão.
* Elisa Nigri Griner – idealizadora e coordenadora do grupo de Liderança e Networking de mulheres
** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do iG
