
Previsões para o El Niño estão mudando a produção no campo
As previsões para o El Niño nos próximos meses já estão mudando a produção no campo. O fenômeno deve alterar não só o clima, mas também os preços dos alimentos.
Agricultor no Paraná, o Rodrigo diz que nesse ramo, não existe receita pronta. Cada safra tem uma estratégia, que depende de vários fatores, principalmente o clima.
“É uma empresa a céu aberto. De 2023 para cá, a gente vem sofrendo impactos devido ao clima. Calor em excesso, falta de chuvas, excesso de chuvas e também geadas”, comenta Rodrigo Tramontina, produtor e engenheiro agrônomo.
Em 2025, ele plantou a soja mais tarde porque as chuvas atrasaram. Desta vez, o agricultor quer antecipar o plantio em um mês, porque a previsão é de que o El Niño provoque mais chuva no segundo semestre. E vai usar sementes que resistem à umidade.
O El Niño é um fenômeno climático que surge a partir do aquecimento das águas do Oceano Pacífico e já está em formação.
No Brasil, em geral, a região Sul tem chuvas acima da média. O Norte e Nordeste registram seca. No Centro-Oeste e no Sudeste, a tendência é de temperaturas mais altas e chuvas irregulares.
Ainda é cedo para dizer que intensidade o El Niño terá, mas o foco é minimizar impactos na colheita.
“O pessoal está na preparação dessa safra. Ainda não foi jogada nem a primeira sementinha no solo, o cenário tem bastante ali desafios a serem digeridos. Ninguém está dizendo que isso é garantido, mas aumenta a probabilidade de você ter uma produtividade abaixo do potencial”, diz Felippe Serigati, pesquisador da FGV Agro.
A preocupação no campo se estende pra economia. E o alerta tem base em dados: nos últimos 25 anos, o El Niño mexeu com a produção das lavouras e isso teve consequências na inflação dos alimentos. Em anos com esse fenômeno climático, o impacto no orçamento das famílias foi maior.
O economista Luís Otávio Leal comparou o item alimentação no domicílio – um dos que compõem o IPCA, principal índice de inflação – em anos com o El Niño e sem ele.
“Anos de El Niño, a média da inflação anual do alimentação no domicílio foi de 11,6%. Enquanto em anos que a gente não teve o El Niño, a gente teve uma inflação média de 6,1%, está? Quase o dobro, né? Então, é, realmente a gente tem um impacto muito grande”, afirma Luís Otávio Leal, sócio e economista-chefe da G5 Partners.
A chegada do El Niño é mais uma variável pra um setor que já vinha refazendo contas por causa da guerra no Irã, com aumento no preço de fertilizantes importados usados no solo.
Para o Rodrigo, é atenção em cada detalhe.
“Nós estamos passando por um ciclo agora que vai ter que ser o melhor piloto pilotando o melhor carro, senão nós vamos capotar nessa curva. É o momento que nós estamos vivendo”, comenta o agricultor.
Previsões para o El Niño estão mudando a produção no campo
Reprodução/TV Globo
