
Os adultos apresentam sintomas como dor de cabeça e ansiedade, mas um pouco de estresse pode ser útil
Getty Images via BBC
Os afastamentos de trabalhadores da educação do Amazonas por transtornos mentais e comportamentais cresceram 190% entre 2019 e 2025, segundo dados divulgados pelo Sindicato dos Trabalhadores em Educação do Estado do Amazonas (Sinteam). Dados da Junta Médica Pericial do Estado mostram que o número de afastamentos passou de 2.321, em 2019, para 6.735, em 2025.
O levantamento foi divulgado no Dia Mundial da Segurança e Saúde no Trabalho, no fim do mês de abril, e aponta aumento nos casos de ansiedade, depressão e síndrome do pânico entre servidores da rede estadual.
Na rede municipal de Manaus, o cenário também apresentou alta. Segundo dados da Junta Médico-Pericial do Município, os afastamentos cresceram 136% entre 2019 e 2024, passando de 1.005 para 2.372 casos. A Prefeitura de Manaus não respondeu ao pedido do sindicato sobre os dados de 2025.
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O Sinteam afirma que o aumento dos casos está ligado às condições de trabalho enfrentadas pelos profissionais da educação, como salas superlotadas, excesso de demandas, falta de profissionais de apoio e sobrecarga de trabalho.
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O cenário do Amazonas acompanha e supera a tendência nacional. Em 2024, o Ministério da Previdência Social registrou 472.328 afastamentos por saúde mental no Brasil, aumento de 68% em relação ao ano anterior e o maior número da última década.
Diagnósticos mais frequentes
Segundo a Junta Médica Pericial do Estado, os casos mais registrados em 2025 entre servidores da rede estadual foram:
ansiedade generalizada: 1.095 casos;
transtorno misto ansioso e depressivo: 848;
episódios depressivos: 479;
transtorno de adaptação: 242;
transtorno de pânico: 223.
O tempo médio de afastamento é de 60 dias por servidor.
Cobranças do sindicato
Diante do aumento dos afastamentos, o Sinteam cobra das secretarias estadual e municipal de Educação medidas voltadas à saúde mental dos trabalhadores da educação.
Entre os pedidos estão a criação de programas permanentes de atendimento psicológico e psiquiátrico, contratação de profissionais de apoio para alunos neurodivergentes, redução da sobrecarga administrativa e abertura de negociação sobre condições de trabalho.
“Estamos diante de um quadro de adoecimento coletivo que não pode mais ser ignorado. Os dados mostram que a situação piorou a cada ano. E piorou muito. Os professores estão pedindo socorro dentro das próprias salas de aula, que estão superlotadas. Aumentaram nossa carga horária, desrespeitando a justiça, mexeram na carga de várias disciplinas obrigando os professores a se deslocarem entre várias escolas e acumular muitas turmas e, consequentemente, mais trabalho. É descaso em cima de descaso”, afirmou Ana Cristina Pereira Rodrigues, presidente do Sinteam.
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