
Violência e abuso sexual infantil: veja os sinais e saiba como proteger as crianças
Em mais de dois anos, o Acre registrou 1.534 casos de estupro de vulnerável. Os dados são do relatório comparativo divulgado pela Polícia Civil (PC-AC), que reúne informações referentes a 2024, 2025 e 2026, com dados parciais contabilizados até 31 de março deste ano.
O Dia Nacional de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual Infantil, nesta segunda-feira (18), demarca a luta pelos direitos das crianças e dos adolescentes do Brasil e foi criada em memória ao caso da menina Araceli Crespo. O mês também é o centro da campanha Maio Laranja, que busca alertar e conscientizar sobre o abuso infantil.
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O estudo mostra ainda que, neste primeiro trimestre de 2026, foram registradas 27 ocorrências de estupro contra crianças e adolescentes, um aumento de 50% em comparação com o mesmo período de 2025, com 18 vítimas.
Já com relação aos casos de estupro de vulnerável, foram registrados 123 casos, uma redução de 28,1% em relação a 2025, com 171 casos. A capital acreana lidera entre as cidades com maiores casos.
Em mais de dois anos, Acre registrou mais de 1,5 mil casos de estupro de vulnerável
Marcelo Casal/Agência Brasil
A pesquisa apresenta ainda o quantitativo de casos registrados na capital e no interior do estado de 2024 até março de 2026.
Considerando os mais de dois anos de análise, o interior possui os maiores registros de ocorrência com 462 casos em 2024, 422 em 2025 e 69 em 2026. Já na capital acreana os números também são significativos com 297 registros em 2024, 230 em 2025 e 54 em 2026.
👉🏼Contexto: Estupro de vulnerável é um crime previsto no Código Penas Brasileiro e consiste na prática sexual com pessoas incapazes de consentir validamente sobre a relação, como crianças e pessoas com deficiência (PCDs). É um crime de natureza grave e de ação penal pública incondicionada.
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Conforme o levantamento, os meses com maiores registros de casos de estupro de vulnerável em 2024 foram dezembro, com 81 ocorrências, janeiro com 77, e maio e junho, com 75 cada.
Já em 2025, janeiro, com 70 casos, maio com 67 e junho com 61, foram os meses com maiores registros. Em 2026, janeiro e março registraram, respectivamente, 47 casos, e em março foram 29.
Regionais e cidades com maiores registros
O levantamento aborda ainda os registros considerando as regionais do estado. Segundo o relatório, a capital, juntamente de Bujari e Porto Acre, além da região do Juruá e Tarauacá/Envira tiveram os maiores registros de casos de estupro de vulnerável. (Veja o gráfico abaixo)
Com relação às cidades com maiores registros de casos de estupro de vulnerável, Rio Branco, Cruzeiro do Sul e Tarauacá lideram os índices. Veja a distribuição de casos de estupro de vulnerável por cidade no Acre:
2024: Rio Branco – 297; Cruzeiro do Sul – 97; Tarauacá – 58.
2025: Rio Branco – 230; Cruzeiro do Sul – 58; Tarauacá – 61.
2026: Rio Branco – 54; Tarauacá – 13; Cruzeiro do Sul – 10.
Índices de vítimas por sexo e faixa etária
O estudo mostra ainda que, em mais de dois anos, a maioria das vítimas de estupro de vulnerável é do sexo feminino. Em 2024, foram 668 vítimas, em 2025 foram 589 e em 2026 foram 103.
Com relação a vítimas do sexo masculino, o levantamento mostra que em 2024 e 2025 foram, respectivamente, 41 vítimas e, em 2026, foram 17.
“Os dados apresentados refletem o cenário do período analisado, constituindo importante subsídio para o enfrentamento da violência sexual contra crianças e adolescentes no Estado do Acre. Observa-se maior incidência entre vítimas mais jovens, especialmente do sexo feminino, o que reforça a necessidade de fortalecimento das ações de prevenção, proteção e acompanhamento. […]”, destaca o relatório.
Estudo mostra ainda que, em mais de dois anos, a maioria das vítimas de estupro de vulnerável são do sexo feminino
Luis Lima Jr/FotoArena/Estadão Conteúdo
Além disso, os dados sobre a faixa etária também são significativos. Em 2024, foram 328 vítimas de 0 a 11 anos e 431 na faixa etária de 12 a 17 anos. Já em 2025, foram 259 vítimas de 0 a 11 anos e 393 de 12 a 17 anos.
Neste ano, até março, a faixa etária de 12 a 17 anos, em caso de estupro de vulnerável, tem maior incidência de vítimas, com 73 casos. Já na faixa de 0 a 11 anos, foram 50 ocorrências registradas.
Veja como denunciar casos de violência infanto-juvenil:
Polícia Militar – 190: quando a criança está correndo risco imediato;
Samu – 192: para pedidos de socorro urgentes;
Delegacias especializadas no atendimento de crianças ou de mulheres;
Qualquer delegacia de polícia;
Disque 100: recebe denúncias de violações de direitos humanos. A denúncia é anônima e pode ser feita por qualquer pessoa;
Profissionais de saúde: médicos, enfermeiros, psicólogos, entre outros, precisam fazer notificação compulsória em casos de suspeita de violência. Essa notificação é encaminhada aos conselhos tutelares e polícia;
WhatsApp do Ministério da Mulher, Família e Direitos Humanos: (61) 99656- 5008;
Ministério Público;
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