Após suspensão, Bradesco poderá abrir novas contas

Banco Bradesco em Juiz de Fora (MG)Reprodução/Google

O Procon-MG suspendeu provisoriamente as medidas cautelares que impediam o Bradesco de abrir novas contas, captar clientes e vender produtos financeiros na agência 3832 da instituição, localizada na Avenida Barão do Rio Branco, no Centro de Juiz de Fora (MG).

  • RELEMBRE O CASO: Bradesco não poderá abrir contas por 30 dias após mau atendimento

A decisão substitui as restrições por um plano de acompanhamento das mudanças prometidas pelo banco. Segundo o órgão, o Bradesco apresentou cronograma de melhorias, reforço de equipes, ampliação da estrutura física e medidas para reduzir filas, sobretudo nos períodos de pagamento de aposentados e pensionistas do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).

As restrições haviam sido anunciadas após fiscalizações encontrarem filas do lado de fora da agência, idosos aguardando atendimento sob sol e chuva, falhas na distribuição de senhas e problemas na organização do fluxo de clientes.

O banco chegou a ficar proibido, por 30 dias, de abrir novas contas, captar clientes e comercializar produtos como seguros, consórcios, previdência privada e títulos de capitalização. Também estavam vetadas ações de marketing e envio de ofertas comerciais. A multa prevista em caso de descumprimento era de R$ 50 mil por dia. Porém, a decisão não durou 3 dias.

O que mudou

Segundo o Procon de Juiz de Fora, o banco passou a adotar uma postura diferente após a aplicação das medidas.

Entre as mudanças já implementadas ou previstas estão o acréscimo de 21 assentos na agência, reforço na orientação das filas, aumento das equipes de atendimento nos horários de pico e antecipação do funcionamento para as 8h em períodos de pagamento de benefícios.

Banco Bradesco em Juiz de Fora (MG)Reprodução/Google

O banco também informou ao órgão que iniciou conversas com o INSS para discutir uma redistribuição de beneficiários entre instituições financeiras da cidade e começou a buscar dois correspondentes bancários para absorver parte da demanda local.

A superintendente do Procon de Juiz de Fora, Tainah Moreira Marrazzo da Costa, afirmou que a suspensão das restrições não significa redução da fiscalização.

Segundo ela, as medidas cautelares podem voltar caso o plano apresentado não funcione.

O Procon informou que o banco terá de apresentar, em até 15 dias, uma planilha com o tempo médio de atendimento presencial referente a maio deste ano.

Também deverá encaminhar relatórios mensais com dados sobre atendimentos, direcionamento de clientes aos canais digitais, andamento da busca por correspondentes bancários e atualizações das tratativas com o INSS.

Ao fim de 60 dias, haverá uma reunião de avaliação para decidir se o plano será mantido, ampliado ou revisto.

Sindicato citou fechamento de agências

Na ocasião em que as restrições foram anunciadas, o Sindicato dos Bancários de Juiz de Fora e Região afirmou que o caso refletia uma política de fechamento de unidades, redução de funcionários e reestruturações adotadas pelos bancos privados nos últimos anos.

Segundo a entidade, o Bradesco fechou oito agências em Juiz de Fora desde 2017 e passou a operar com apenas cinco unidades na cidade, sendo duas destinadas a públicos específicos.

O sindicato também afirmou que a redução de caixas presenciais e o incentivo ao uso exclusivo de aplicativos têm afetado principalmente idosos e pessoas com dificuldade de acesso aos canais digitais.

Procurado pelo iG, o Bradesco afirmou que não comenta casos “sub judice”, termo usado para processos em discussão na esfera judicial ou administrativa.

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