Fundada em 1350, a cidade de Ayutthaya foi a capital do Reino do Sião e uma das metrópoles mais ricas e populosas do mundo, abrigando quase 1 milhão de pessoas. Localizada na Tailândia, as ruínas de seus imensos templos de tijolos formam hoje um parque arqueológico que desafia o tempo.
Como a engenharia siamesa construiu uma ilha-capital colossal?
Estrategicamente localizada na confluência de três rios (Chao Phraya, Lopburi e Pa Sak), a cidade foi transformada em uma ilha artificial através da escavação de canais. Essa rede hidráulica não apenas protegia a cidade contra invasores, mas funcionava como um sistema de trânsito comercial avançado, similar à Veneza.
Os engenheiros tailandeses utilizaram tijolos de barro cozido revestidos com estuque para erguer os icônicos “prangs” (torres relicárias). Documentos de proteção da UNESCO, que classifica o local como Patrimônio da Humanidade, destacam a resiliência dessas estruturas contra séculos de inundações.

Por que a cidade se tornou um centro comercial global?
Entre os séculos XVI e XVIII, a cidade era um polo comercial diplomático que conectava o Oriente ao Ocidente. Comerciantes japoneses, portugueses, holandeses e franceses estabeleceram bairros próprios fora dos muros da ilha, negociando especiarias, seda e armas.
Para compreender a magnitude arquitetônica preservada nesta ilha histórica, listamos os principais templos do parque arqueológico. Estes dados ajudam a guiar o roteiro de exploração das ruínas:
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Wat Mahathat: Templo principal, onde se encontra a famosa cabeça de Buda envolta em raízes de figueira.
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Wat Chaiwatthanaram: Complexo real à beira do rio, famoso por seus prangs monumentais.
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Wat Phra Si Sanphet: Conhecido pelas três estupas (chedis) gigantes restauradas.
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Material Base: Milhões de tijolos vermelhos expostos após a queda do estuque.
Como a capital de 1 milhão de pessoas foi destruída?
O apogeu da metrópole terminou abruptamente em 1767, quando o exército birmanês invadiu e saqueou a cidade. Eles incendiaram os templos para derreter o ouro que cobria as estátuas gigantes de Buda, forçando a população a fugir e resultando na transferência da capital para a atual Bangkok.
Para comparar o esplendor do império siamês com os resquícios atuais, elaboramos o quadro abaixo, focando na transformação do uso do espaço:
| Contexto Urbano | Ayutthaya (Século XVII – Apogeu) | Ayutthaya (Atualidade – Parque Arqueológico) |
| Uso Principal | Capital política e hub de comércio global | Ruínas históricas e turismo patrimonial |
| Infraestrutura | Palácios de madeira, canais navegáveis cheios | Estruturas de tijolo exposto, estátuas decapitadas |
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Quais os desafios da preservação frente às inundações modernas?
A localização fluvial, que antes era sua maior defesa, hoje é o seu maior desafio de conservação. As inundações sazonais do rio Chao Phraya ameaçam corroer as fundações de tijolo dos templos, exigindo intervenções de engenharia hidráulica para drenar a água sem afundar o solo arqueológico.
No Brasil, o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) enfrenta desafios semelhantes em cidades coloniais úmidas. A troca de tecnologias de preservação de alvenaria antiga entre nações tropicais é vital para salvar estes monumentos.
Para planejar sua visita à antiga capital tailandesa, selecionamos o conteúdo do canal Estevam Pelo Mundo. No vídeo a seguir, o viajante mostra os templos de Buda mais impressionantes de Ayutthaya e dá dicas práticas de como aproveitar o tour em um dia:
Por que visitar as ruínas é uma imersão na cultura budista?
Alugar uma bicicleta ou um tuk-tuk para explorar as ruínas ao pôr do sol é uma experiência espiritual. O contraste entre os tijolos avermelhados envelhecidos e o verde intenso dos gramados transmite uma paz que esconde o passado violento da destruição da cidade.
Ayutthaya é a alma da Tailândia clássica. Para qualquer viajante asiático, a visão dos imensos monges de pedra sem cabeça e das torres inclinadas é o lembrete perfeito de que impérios caem, mas a beleza da fé e da engenharia resiste.
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