VÍDEO: Medicação chega de helicóptero e salva vida de trabalhador infartado na zona rural do ES


Medicação chega de helicóptero e salva vida de trabalhador infartado na zona rural do ES
Um trabalhador rural que teve uma parada cardíaca em uma região de difícil acesso por terra, na zona rural de Viana, Grande Vitória, no domingo (17), recebeu o medicamento que reverteu o quadro clínico dele de uma maneira inusitada. A medicação chegou ao local do socorro de helicóptero, transportada por uma equipe do Núcleo de Operações e Transporte Aéreo (Notaer).
Ao apresentar dores fortes no peito e mal-estar após esforço físico, características do infarto agudo do miocárdio, o homem foi atendido, inicialmente, por uma equipe do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu 192).
📲 Clique aqui para seguir o canal do g1 ES no WhatsApp
Durante a assistência, o paciente entrou em parada cardíaca e passou por manobras de reanimação e aplicação de choques.
Diante da gravidade do caso e das dificuldades de transporte terrestre, o Notaer foi acionado para prestar apoio e transportar ao local o medicamento Alteplase, utilizado para reverter a parada cardíaca.
A equipe informou que o trabalhador rural respondeu positivamente ao remédio e recuperou a consciência, voltando a movimentar os quatro membros e a ter estímulos oculares no local.
Medicamento para reverter parada cardíaca foi transportado por helicóptero do Notaer, no Espírito Santo.
Divulgação/Notaer
LEIA TAMBÉM:
ENCHENTES: Helicóptero do Notaer faz 28 resgates durante final de semana no Sul do ES
VÍDEO: drone de influenciador segue helicóptero em patrulhamento e é apreendido no ES
CORAÇÃO E FÍGADO: Helicóptero do Notaer auxilia no transporte de órgãos para transplante
Em seguida, ele foi transportado de helicóptero ao Hospital Evangélico de Vila Velha (HEVV), referência no tratamento deste tipo de quadro clínico.
Segundo a equipe médica do Notaer, o uso bem-sucedido da medicação em casos como estes é considerado um fato raro e se destaca na medicina global.
Como funciona o medicamento
A Alteplase, segundo a Secretaria de Estado da Saúde do Espírito Santo (Sesa), é utilizada em situações específicas de infarto agudo do miocárdio e acidente vascular cerebral isquêmico, sendo indicada, principalmente, quando o paciente não consegue chegar rapidamente a um hospital com hemodinâmica.
O cardiologista Henrique Bonaldi explicou o mecanismo de ação do remédio é usado para dissolver coágulos.
“Alteplase é fibrinolítico, que quer dizer quebra de fibrina, quebra o coágulo que pode ter se montado. E essa medicação dissolve o trombo que tiver. Se tiver no cérebro, ele dissolve, não causando o AVC, então ele é uma medicação bem salvadora, o uso no mundo inteiro é bem padronizado e bem protocolado”, esclarece.
O especialista aponta que a base do uso consiste na desobstrução de uma artéria que foi bloqueada. “Em grandes centros, fazemos o cateterismo para achar a artéria e desobstruir. Mas, em caso de situações mais remotas, ela faz esse papel muito bem”, afirmou Bonaldi.
A secretaria estadual reforçou que o uso do medicamento exige critérios rigorosos e segue protocolos estabelecidos pelo Ministério da Saúde.
Uma das exigências é a confirmação do diagnóstico antes da aplicação, assim como o afastamento de contraindicações como o risco de sangramentos graves.
De acordo com o cardiologista, a avaliação prévia é fundamental antes de ministrar o fármaco. “O profissional que autorizou essa medicação precisou avaliar se o paciente tinha contraindicações, porque isso é muito bem definido”, pontua.
‘Tempo é músculo’
A agilidade na administração do remédio em locais isolados é apontada por especialistas como o fator determinante para a sobrevivência do paciente.
“Existe uma máxima que tempo é músculo para a cardiologia. Se eu travar a artéria que leva sangue para o coração, daquele momento em diante estão morrendo células. E o que define a quantidade que vai morrer é o tempo”, explica Henrique Bonaldi.
Segundo o médico, a célula ainda sobrevive por um período determinado sem o fluxo sanguíneo, “mas o que determina se a pessoa vai sobreviver a um tipo de infarto é o tempo de assistência”.
A Sesa informou em nota que “a administração precoce do trombolítico ainda no atendimento pré-hospitalar pode ser decisiva para salvar vidas”, porque atua dissolvendo coágulos e restabelecendo o fluxo sanguíneo o mais rapidamente possível.
Embora seja um recurso disponível no Sistema Único de Saúde (SUS), o uso da Alteplase no atendimento pré-hospitalar não é considerado rotineiro em todos os serviços, afirma a Sesa. Isso porque é necessário dispor de “equipe treinada, confirmação diagnóstica rápida e estrutura adequada para monitoramento.”
A reportagem não conseguiu contato com o paciente que recebeu a medicação.
Vídeos: tudo sobre o Espírito Santo
Veja o plantão de últimas notícias do g1 Espírito Santo
Adicionar aos favoritos o Link permanente.