Diretor da OMS afirma estar ‘profundamente preocupado’ com epidemia de Ebola no Congo


Surto de Ebola na República Democrática do Congo mata 105
O diretor-geral da Organização Mundial da Saúde, Tedros Adhanom Ghebreyesus, afirmou nesta terça-feira (19) estar “profundamente preocupado com a escala e a velocidade da epidemia” de ebola na República Democrática do Congo, diante do avanço acelerado do surto no leste do país.
Segundo o Ministério da Saúde congolês, já foram registrados 513 casos suspeitos e 131 mortes relacionadas à doença. As autoridades ressaltam que parte das mortes ainda está sob investigação para confirmar se houve relação direta com o vírus, mas os números já representam um salto expressivo em relação ao balanço divulgado um dia antes, quando havia cerca de 300 casos suspeitos.
A OMS convocou uma reunião emergencial de seu comitê de crise para discutir a situação. Entre os fatores que mais preocupam a agência estão o aparecimento de casos em áreas urbanas, a morte de profissionais de saúde, a intensa circulação de pessoas na região e a ausência de vacinas e tratamentos aprovados para a variante identificada no atual surto.
O surto é causado pelo vírus Bundibugyo, uma variante rara do ebola. A OMS declarou no domingo (17) emergência de saúde pública de interesse internacional.
Homem é retirado de ambulância ao chegar ao Hospital Geral de Referência de Bunia, após confirmação de um surto de Ebola.
Victoire Mukenge/Reuters
Surto ficou semanas sem ser detectado
Especialistas e trabalhadores humanitários afirmam que o vírus circulou sem ser identificado por semanas, o que dificultou os esforços de contenção.
Segundo autoridades congolesas, a primeira morte ligada ao surto ocorreu em 24 de abril, em Bunia. O corpo da vítima foi levado para Mongbwalu, uma região de mineração com grande circulação de pessoas, o que pode ter contribuído para a disseminação da doença.
A resposta sanitária também foi atrasada após testes iniciais apresentarem resultado falso negativo para o tipo mais comum de ebola, o Zaire. Com isso, autoridades locais inicialmente descartaram a possibilidade de um novo surto da doença.
A confirmação oficial do ebola ocorreu apenas em 14 de maio, após a OMS ser alertada sobre dezenas de mortes em Mongbwalu, incluindo quatro profissionais de saúde.
“Estamos correndo atrás do prejuízo contra um patógeno muito perigoso”, afirmou Matthew Kavanagh, diretor do Centro de Políticas e Política de Saúde Global da Universidade de Georgetown.
Um homem é retirado de uma ambulância ao chegar ao Hospital Geral de Referência de Bunia, após a confirmação de um surto de Ebola envolvendo a cepa Bundibugyo em Bunia, província de Ituri, República Democrática do Congo, em 16 de maio de 2026
REUTERS/Victoire Mukenge
Casos já chegaram a Uganda
As autoridades confirmaram casos em Bunia, Goma, Butembo, Mongbwalu e Nyakunde. Uganda também registrou um caso e uma morte em pessoas que viajaram do Congo.
Um médico americano está entre os infectados em Bunia. Segundo o Instituto Nacional de Pesquisa Biomédica do Congo, ele trabalhava em um hospital local quando apresentou sintomas da doença.
O que é o ebola
O ebola é uma doença viral rara, grave e frequentemente fatal. O vírus é transmitido pelo contato com fluidos corporais, como sangue, vômito e sêmen.
Os sintomas incluem febre, dor de cabeça, dores musculares, fraqueza, diarreia, vômitos, dor abdominal e sangramentos inexplicáveis.
Durante grandes surtos anteriores, milhares de pessoas foram infectadas ao cuidar de parentes doentes ou durante rituais funerários com contato direto com os corpos das vítimas.
“O ebola é, em grande parte, uma doença de compaixão, porque afeta principalmente pessoas que cuidam dos doentes”, afirmou Craig Spencer, professor da Escola de Saúde Pública da Universidade Brown e sobrevivente da doença.
Região enfrenta crise humanitária
O leste do Congo já vive uma grave crise humanitária marcada pela atuação de grupos armados, deslocamentos forçados e dificuldade de acesso a serviços básicos.
Segundo a ONU, apenas a região de Ituri abriga mais de 273 mil deslocados internos.
Moradores de Bunia relataram medo diante do avanço do surto. Uma das habitantes da cidade disse à Associated Press que começou a produzir máscaras de proteção artesanalmente após lembrar das consequências de surtos anteriores da doença.
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