Renan Santos defende guerra ao crime e corte de gastos em projeto para 2026

Renan Santos, pré-candidato à Presidência da República pelo partido Missão, afirmou em entrevista ao BM&C Talks que a segurança pública será um dos eixos centrais de seu projeto político para 2026. Ligado à trajetória do MBL e à formação da nova legenda, ele apresentou a disputa eleitoral como parte de uma estratégia de longo prazo para reposicionar o Brasil no cenário global.

Na avaliação do pré-candidato, o país não conseguirá avançar de forma consistente em educação, saneamento, urbanismo, atração de investimentos e crescimento econômico enquanto houver regiões dominadas pelo crime organizado. Para ele, a retomada territorial pelo Estado seria uma condição anterior a outras políticas públicas.

“Nenhuma das cinco maiores nações do mundo permite que parte do seu território seja tomado pelo crime organizado”, afirma Renan Santos.

Crime organizado, facções e retomada territorial

Ao tratar da legislação penal, Renan defendeu mudanças nas regras de execução de penas, o fim de benefícios para integrantes de facções e a criação de um regime jurídico específico para esse grupo. Segundo ele, o objetivo seria tornar a resposta do Estado mais rápida e mais dura contra organizações criminosas.

O pré-candidato também citou El Salvador como referência no enfrentamento ao crime organizado, embora tenha reconhecido diferenças relevantes em relação ao Brasil, como o tamanho do território, o modelo federativo das polícias e a complexidade das favelas nas grandes cidades.

“Eu vou precisar fazer algo similar a uma guerra contra o crime. Por quê? Porque eles já se encastelaram em muitos nichos do território brasileiro”, sustenta Renan Santos.

Ajuste fiscal e crítica à estrutura de gastos

Na agenda econômica, Renan afirmou que a elevada carga tributária brasileira é consequência de uma estrutura de despesas obrigatórias que limita a capacidade de investimento público e pressiona a arrecadação. Para ele, a Constituição de 1988 consolidou vinculações e indexações que dificultam o controle do gasto.

O pré-candidato defendeu um ajuste fiscal amplo, com revisão de despesas, benefícios, renúncias fiscais, regras previdenciárias e vinculações orçamentárias. Em sua avaliação, qualquer proposta de redução de impostos dependeria, antes, de uma mudança estrutural no lado da despesa pública.

“Para você poder mexer nisso sem estourar o que você falou, a trajetória da relação dívida PIB, que hoje está estourarando, você vai ter que mexer na despesa”, avalia Renan Santos.

Trabalho, Bolsa Família e escala 6×1

Renan também criticou a dependência de parte da população em relação a programas sociais e defendeu mecanismos de transição para o mercado de trabalho. Entre as propostas citadas, ele mencionou frentes de trabalho como contrapartida para beneficiários que recusarem oportunidades de emprego.

Sobre o debate em torno do fim da escala 6×1, o pré-candidato afirmou que a medida poderia elevar custos para empresas, reduzir competitividade e pressionar setores de serviços e indústria. Para ele, a piora na qualidade de vida do trabalhador urbano está ligada a um conjunto mais amplo de fatores, como transporte, segurança, tributação e baixa produtividade.

“Aquela pessoa está esgotada por conta do modelo de Brasil. Aí vai um malandro fala: ‘Não, é por causa da 6 por1 ao seu patrão que está te roubando’”, critica Renan Santos.

Novo marco trabalhista e papel do Estado

Ao comentar a legislação trabalhista, Renan defendeu um novo modelo de contratação, com maior flexibilidade e mais espaço para negociação entre trabalhadores e empresas. Segundo ele, o avanço do MEI em setores de serviços e comércio reflete uma tentativa do mercado de se adaptar a regras consideradas rígidas.

O pré-candidato também afirmou que discutiria o fim da Justiça do Trabalho, argumentando que os recursos destinados à estrutura poderiam ser usados para reduzir a tributação sobre o trabalhador. A proposta foi apresentada dentro de uma agenda mais ampla de flexibilização das relações de trabalho e redução de custos de contratação.

“Nós precisamos ter um novo marco de contratação das pessoas extremamente flexível, garantindo obviamente certos limites em termos de jornada”, defende Renan Santos.

Eleições de 2026 e estratégia do Missão

No campo político, Renan afirmou que o Missão pretende se diferenciar tanto do petismo quanto do bolsonarismo, buscando construir uma identidade própria diante de um eleitorado polarizado. Ele comparou partidos tradicionais a legendas sem programa definido e disse que o objetivo do Missão é representar uma visão de país.

Ao projetar 2026, o pré-candidato afirmou que sua legenda pretende atuar de forma independente, inclusive no caso de eleger uma bancada no Congresso Nacional. A mensagem central da entrevista foi a de que o partido busca se apresentar como alternativa de poder, com foco em segurança pública, ajuste fiscal, reforma trabalhista e reorganização do Estado.

 

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