
O senador Flávio Bolsonaro (PL) afirmou nesta terça-feira (19) que visitou o empresário Daniel Vorcaro em São Paulo depois da prisão do banqueiro.
Segundo o parlamentar, o encontro aconteceu porque Vorcaro não podia sair da cidade, por causa do uso de tornozeleira eletrônica, e serviu para encerrar a parceria ligada ao financiamento do filme “Dark Horse”, produção sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro.
Flávio afirmou que o empresário deixou de pagar parcelas previstas no contrato e disse que decidiu “colocar um ponto final nessa história” ao perceber a gravidade da situação.
Segundo Flávio Bolsonaro (PL), o primeiro contato com Vorcaro aconteceu no fim de 2024, durante um jantar apresentado por um amigo em comum. O senador afirmou que procurava investidores privados para financiar o filme, produzido nos Estados Unidos como homenagem ao pai.
O parlamentar ainda disse que cobrava os pagamentos atrasados e avisava que poderia procurar outros investidores caso o empresário não cumprisse o acordo. Segundo Flávio, Vorcaro respondia que faria todos os pagamentos previstos em contrato.
Ainda de acordo com o senador, um áudio gravado no fim de 2025 mostra o momento em que ele pede esclarecimentos sobre o desfecho da situação. Após a prisão do banqueiro, Flávio afirmou que percebeu que o cenário era “mais grave” do que imaginava.
- ENTENDA: Flávio recebeu R$ 61 mi de Vorcaro para filme sobre Bolsonaro
Pagamentos chegaram a R$ 61 milhões
Uma reportagem do The Intercept Brasil, divulgada na última quarta-feira (13), informou que Vorcaro teria destinado cerca de R$ 61 milhões para financiar o filme “Dark Horse”. O valor faria parte de um acordo total estimado em R$ 134 milhões.
Segundo os documentos citados pelo jornal, os pagamentos aconteceram entre fevereiro e maio de 2025, em seis transferências diferentes. O material incluiria comprovantes bancários, cronogramas de pagamento e mensagens sobre as parcelas do projeto.
A publicação também afirmou que uma conversa entre Flávio Bolsonaro e Vorcaro aconteceu em 16 de novembro de 2025, um dia antes da prisão do empresário. No dia seguinte, o Banco Master foi liquidado pelo Banco Central.
Anteriormente, Flávio havia negado as conexões da sua família com o banqueiro, chegando a dizer que isso era uma “narrativa falsa que o Lula tem criado”. No entanto, depois da publicação do site, ele foi às redes sociais para confirmar a negociação com Vorcaro.
Senador diz que prestará contas
Após a repercussão do caso, Flávio Bolsonaro afirmou que pediu uma prestação de contas detalhada à produtora e ao fundo responsável pelo filme no prazo de 30 dias. Segundo ele, possíveis valores ligados à empresa indicada por Vorcaro serão separados e deixados “à disposição das autoridades brasileiras” caso o filme gere lucro no futuro.
O senador também voltou a defender a criação de uma CPMI para investigar o Banco Master. Durante a declaração, citou reportagens envolvendo o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e criticou setores da Polícia Federal.
