Litoral de Sergipe registra maior número de encalhes de aves marinhas em mais de 15 anos


Especialista fala sobre alta histórica de encalhes de aves em litoral de Sergipe
Mais de 770 encalhes de aves marinhas foram registrados no litoral de Sergipe entre janeiro e os primeiros dias de maio deste ano, o maior número já documentado para esse período em mais de 15 anos de monitoramento da costa sergipana, de acordo com a Fundação Mamíferos Aquáticos (FMA).
De acordo com Elaine Knupp de Brito, médica veterinária da Fundação, o caso já pode ser considerado uma emergência ambiental. Em todo o ano de 2025, foram registrados 492 casos, o que daria uma média de 41 encalhes por mês. Os números de 2026 já superam os 12 meses do ano passado e formam uma média de cerca de 150 encalhes de aves por mês no litoral sergipano.
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Os dados da Fundação mostram ainda que a maior parte, cerca de 625 aves já foram encontradas mortas, o que representa mais de 80% dos casos. “O que mais chama a atenção é essa alta taxa de mortalidade […]. E as que chegam vivas geralmente estão em estado crítico, com exaustão severa”, afirmou a especialista.
Segundo Knupp, o encalhe de ave é quando o animal não consegue realizar os comportamentos naturais de voo e alimentação, geralmente permanecendo na areia da praia. Ela explica que, durante a migração, essas aves cruzam extensas áreas oceânicas em busca de condições mais favoráveis de alimentação e clima. Algumas espécies realizam travessias intercontinentais, conectando o litoral brasileiro a regiões do Hemisfério Norte e até da Europa.
Ave encalhada é atendida pela Fundação Mamíferos Aquáticos em Sergipe.
FMA/Reprodução
“Quando a oferta de alimento é comprometida ou as condições ambientais se tornam adversas ao longo do trajeto, a capacidade de recuperação das aves se reduz drasticamente, aumentando a probabilidade de encalhes, muitas vezes já em estado irreversível”, explicou.
Ela disse ainda que as aves encontradas mortas são encaminhadas para exames, que são fundamentais para a investigação das causas e o monitoramento da saúde da fauna marinha. As equipes trabalham para montar uma barreira sanitária e impedir a entrada de doenças, como a gripe aviária.
Além disso, quando as aves são resgatadas ainda com vida, elas são levadas para o Centro de Reabilitação da FMA, onde recebem atendimento para que possam retornar à vida livre.
Ave encalhada e atendida pela Fundação Mamíferos Aquáticos em Sergipe.
FMA/Reprodução
O que fazer ao encontrar uma ave encalhada
Manter distância segura e evitar aglomerações no local
Impedir a aproximação de animais domésticos, como cães e gatos
Registrar a localização exata e, se possível, fotografar o animal
Acionar imediatamente a FMA pelo 0800 728 9001 ou (79) 99130-0016.
O acionamento rápido é determinante para que o atendimento seja feito de forma segura e tecnicamente adequada, aumentando as chances de sobrevivência dos animais resgatados com vida.
A FMA alerta ainda que manipulação inadequada representa risco à saúde humana, especialmente diante do cenário de influenza aviária, e pode agravar o estado clínico da ave, comprometendo seu prognóstico.
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