Novas revelações deixam claro de que lado político estava Vorcaro

Flávio Bolsonaro e Daniel VorcaroReprodução/redes sociais

Flávio Bolsonaro mentiu quando negou, em uma coletiva de imprensa, que o filme “Dark Horse”, uma propaganda política do pai, não havia recebido dinheiro de Daniel Vorcaro, dono do banco Master.

Mentiu quando admitiu depois que, sim, recebeu, mas tinha um contrato de confidencialidade que o impedia de dar o nome do patrocinador. Seria um caso inédito de patrocínio enrustido. A lógica da empresa privada é justamente aproveitar a janela de visibilidade que um filme, uma novela ou um outdoor pode garantir.

Vorcaro, não. Vorcaro é daqueles que pagam para não serem vistos. E escondem a ação, como bom pagador de promessa. Bem no momento – coincidência – que o banco estava à venda e cheio de furo nos cascos. E precisava de retorno político para salvar a própria pele.

Flávio voltou a mentir quando declarou que não sabia dos rolos envolvendo o amigo mecenas. Mentiu e se contradisse, já que no áudio divulgado pelo Intercept Brasil ele lamenta o fato de o interlocutor passar por momentos difíceis.

Como se não fosse encrenca suficiente, com derretimento nas intenções de voto já apontado na pesquisa Atlas desta semana (queda de seis pontos e derrota em um eventual segundo turno contra Lula, por 48,9% a 41,8%), ele acaba de ser emparedado por duas novas revelações.

A mais grave é a de que visitou Vorcaro quando ele já cumpria prisão domiciliar. Caso não soubesse ainda, pelos jornais, dos rolos do anfitrião, a tornozeleira eletrônica deveria, em tese, servir de lembrete.

Flávio garante que foi até lá terminar a relação. Então havia relação? Ou alguém precisa avisar ao patrocinador encrencado que o dinheiro para um filme qualquer, a partir dali, não era bem-vindo e teria de cessar? Alguém realmente imagina uma conversa assim?

Bom, se fosse um filminho, Vorcaro teria assuntos mais importantes para tratar. Uma delas era se livrar logo do enfeite no tornozelo.

E, se o dinheiro não era benvindo, ele poderia ser devolvido. Foi?

Flávio minimiza, minimiza, minimiza.

E a extrema-direita, que se beneficiava do desgaste do escândalo do Banco Master fingindo que não era com ela (afinal, as suspeitas também recaem sobre ministros do STF, hoje associados ao governo por parte dos eleitores mais desatentos), já não tem pra onde correr. 

Ficou ainda pior com a revelação, do Intercept, de que Mário Frias lambeu bem lambidinho as botas de Vorcaro ao mendigar apoio ao filme – e receber.

Em dezembro de 2024, o ex-ator de Malhação e ex-ministro da Cultura de Jair Bolsonaro escreveu para agradecer o “irmão” e anunciar: “Vamos mexer com o coração de muita gente e vai ser muito importante para o nosso país”.

Dias depois, Frias diria a Vorcaro que, graças a ele, a obra poderia tocar “milhões de pessoas em todo mundo”, que “JB (Jair Bolsonaro) precisa ter sua verdadeira história revelada” e que “2026 é do Brasil”.

Vorcaro, na resposta, garantia ter “certeza disso”. 

Ele tinha razão pra isso para botar dinheiro no lado de Bolsonaro: sob a gestão do ex-presidente, o Banco Central fez vistas grossas às barbeiragens que permitiram ao Master fazer tudo o que fez com CDBs irreais e contratos para roubar aposentados com crédito consignado em estados bolsonaristas. Mais: foi Ciro Nogueira (PP-PI), um ex-ministro de Jair Bolsonaro que emplacou, no Senado, a “Emenda Master”, escrita a mando de Vorcaro, para ampliar o limite do Fundo Garantidor de Crédito para quem não tinha lastro.

As evidências são muitas, mas exige esforço para ligar os pontos.

Tudo isso é menos destruidor do que as mensagens de irmandade reveladas pelo Intercept, em que planos eleitorais a partir do filme são explicitados sem nenhuma cerimônia.

Se alguém ainda tinha dúvida sobre de que lado estava Vorcaro na briga política e quem estava ao lado dele, até para levar cigarro na prisão, agora não tem mais.

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