Ypê pede que usuários guardem itens suspensos e destaca reembolso

Produtos Ypê suspensos pela AnvisaMarcela Gonzaga/iG

A fabricante Ypê orientou os consumidores a interromperem o uso dos produtos suspensos pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e pediu que os itens sejam mantidos guardados até uma nova definição do órgão regulador. A recomendação foi divulgada pela empresa na noite desta terça-feira (19).

Segundo a fabricante, os consumidores não devem utilizar nem jogar fora os produtos incluídos na medida cautelar.

A suspensão determinada pela Anvisa atinge detergentes lava-louças, sabões líquidos para roupas e desinfetantes que tenham lotes com numeração final 1.

Clique aqui para acessar a lista divulgada pela Anvisa.

Além disso, a empresa afirmou que os clientes que desejarem devolver os produtos poderão solicitar reembolso por meio dos canais oficiais de atendimento.

O que levou à suspensão

O caso começou após inspeções realizadas na fábrica da empresa, localizada em Amparo, em parceria com órgãos de vigilância sanitária do estado de São Paulo.

De acordo com a Anvisa, os fiscais identificaram problemas em etapas consideradas importantes do processo de fabricação. Entre os pontos apontados estão falhas no controle de qualidade, equipamentos com sinais de corrosão e armazenamento inadequado de resíduos.

A agência também informou que a bactéria Pseudomonas aeruginosa foi encontrada em mais de 100 lotes de produtos acabados da marca.

Especialistas explicam que a bactéria é comum no ambiente e costuma representar baixo risco para pessoas saudáveis. No entanto, o cuidado deve ser maior entre grupos mais vulneráveis, como pacientes imunossuprimidos, pessoas em tratamento contra o câncer, transplantados, idosos fragilizados, bebês e pessoas com feridas ou problemas de pele.

Nesses casos, a bactéria pode causar infecções principalmente quando entra em contato com olhos, mucosas ou lesões.

Empresa questiona conclusões da Anvisa

Apesar da suspensão, a discussão entre a empresa e a Anvisa continua. A Ypê afirma que pretende apresentar novos testes feitos por laboratórios independentes autorizados pela própria agência para analisar os lotes colocados no mercado.

A fabricante também contesta os apontamentos feitos pela fiscalização. Segundo a empresa, a inspeção não encontrou contaminação nos produtos comercializados e as imagens divulgadas da fábrica mostram áreas sem contato direto com os itens vendidos aos consumidores.

A empresa ainda declarou que “o uso normal dos produtos reduz drasticamente qualquer carga bacteriana” e afirmou que não existem registros na literatura médica de infecções causadas por roupas lavadas com detergentes domésticos contaminados.

Enquanto o caso segue em análise, especialistas orientam que consumidores fiquem atentos a sintomas como irritações persistentes, secreções, febre ou problemas nos olhos após o uso dos produtos. Também é recomendado trocar esponjas utilizadas com os detergentes afetados e, em caso de dúvida, relavar roupas íntimas, toalhas e peças de bebês com outro produto.

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