
Uma pesquisa realizada pela Agência de Serviços de Imigração (ISA) apontou que quase metade dos estrangeiros residentes no Japão sofreram algum tipo de discriminação. O documento governamental foi realizado entre outubro e novembro de 2025 e divulgada nesta terça-feira (19).
No total, foram entrevistados 20 mil residentes estrangeiros e residentes permanentes especiais com 18 anos ou mais, obtendo 8.874 respostas válidas.
O relatório aponta que 47% dos participantes sofreram algum tipo de preconceito no cotidiano, enquanto 53% disseram não ter passado por tratamento discriminatório, uma queda de 0,8 ponto percentual em relação ao ano anterior. Considerando a possibilidade de múltiplas respostas, os problemas relacionados à moradia foram os mais comuns, citados por 19,4% dos entrevistados. A discriminação no ambiente de trabalho veio em seguida (17,5%), e na busca por emprego (13,2%).
Ao identificar a fonte do tratamento discriminatório, 44,8% apontaram estranhos como os mais comuns, seguidos por indivíduos relacionados ao trabalho (35,9%), funcionários do setor imobiliário e de habitação (23,8%) e funcionários de lojas (22,1%).
Discurso de ódio
O estudo também abordou o discurso de ódio. Um total de 43,9% dos entrevistados afirmou ter vivenciado diretamente ou presenciado discursos de ódio direcionados a outras pessoas. Desses, 12% relataram ter vivenciado pessoalmente, uma queda de 0,7 ponto percentual ante o ano anterior. Entre as vítimas, 71,4% relataram tê-lo vivenciado online, 25,4% através de veículos com alto-falantes e 22,3% em manifestações e protestos.
O tipo mais comum de discurso de ódio envolveu frases excludentes como “Estrangeiros devem ir embora” e “Voltem para o seu país”, citados por 83,2% das pessoas que se depararam com esse tipo de preconceito. Entre esses entrevistados, 34,6% viram conteúdo que depreciava pessoas de determinadas nacionalidades ou etnias, e 8,4% relataram ouvir retórica violentamente explícita, como “Estrangeiros devem ser jogados ao mar”.
Satisfação
Apesar dos desafios, a satisfação geral com a vida no Japão permanece alta. A pesquisa revelou que 52,8% dos entrevistados disseram estar satisfeitos, enquanto 38,2% afirmaram estar parcialmente satisfeitos, totalizando 91,0% que expressaram algum nível de contentamento em viver no país. As principais razões citadas foram o ambiente limpo, a compatibilidade com a cultura e costumes locais e a segurança pública. Do total de entrevistados, 62,6%, também afirmou esperar permanecer no Japão permanentemente.
Entre os insatisfeitos, a queixa mais comum foi o alto custo de vida (32,7%), seguida pelos baixos salários (21,8%). A discriminação foi citada por 15,3% desse grupo. De acordo com a ISA, a população estrangeira residente no Japão aumentou 9,5% e atingiu o recorde de 4,12 milhões no final de 2025, ultrapassando a marca de 4 milhões pela primeira vez. “Algumas pessoas parecem achar que os imigrantes são desnecessários no Japão, mas acredito que podemos construir um futuro melhor juntos”, escreveu um participante na seção de resposta livre da pesquisa.
