
Depois da CPI na Câmara Lesgislativa investigar a poluição no Rio Melchior, o GDF anunciou um projeto para recuperar a mata às margens do rio
O governo do Distrito Federal anunciou um projeto para recuperar a vegetação nativa do Rio Melchior, um dos mais poluídos do DF. Toda a sujeira do afluente que fica entre Ceilândia e Samambaia vai parar no Rio Descoberto, que abastece 60% da população da capital.
O Melchior foi tema de uma CPI da Câmara Legislativa no ano passado. O relatório final apontou falhas de fiscalização e responsabilizou órgãos públicos – como a Caesb, SLU e Adasa – e empresas pelo agravamento da poluição. No entanto, os pedidos de indiciamento acabaram rejeitados pela maioria dos deputados da comissão.
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O edital publicado pela Secretaria do Meio Ambiente prevê quase R$ 8 milhões para recomposição da vegetação nativa em áreas degradadas por onde o Rio Melchior passa. Segundo a engenheira ambiental da Secretaria do Meio Ambiente, Ilana Sarah, o projeto será executado ao longo de quatro anos.
“Nosso planejamento é que seja feito um plantio de 250 mil mudas de espécies espécies nativas do cerrado. Nossa expectativa é que consigamos iniciar já em 2026”, afirma.
O projeto também prevê a recuperação de nascentes e ações de educação ambiental em regiões como Ceilândia, Samambaia e Sol Nascente.
O Ibram afirma que, entre 2022 e fevereiro deste ano, foram registradas 44 ações fiscais em áreas próximas ao rio. Desse total, 12 estão relacionadas diretamente ao despejo irregular de resíduos e efluentes.
Agravamento ao longo dos anos
Rio Melchior é um dos mais poluídos do DF
TV Globo/Reprodução
O problema ambiental do Rio Melchior se agravou ao longo das décadas no Distrito Federal. Quem mora na região há mais tempo lembra de um passado bem diferente. Segundo o ativista ambiental Newton Viera, na década de 60, o rio era limpo.
“Os moradores contam que pescavam, usavam esse rio como lazer e também como fonte pra irrigar plantações. Eles consumiam dessa água”, afirma Newton.
Atualmente, de acordo com o ambientalista, o Melchior recebe uma mistura pesada de poluição que incluí esgoto tratado e não tratado, resíduos industriais, descarte irregular de lixo e até chorume do aterro sanitário.
“A Adasa classifica essas águas como classe quatro, onde é totalmente proibido qualquer contato humano com essa água, então ele é extremamente poluído. É um risco muito alto pra população. Inclusive, nós já encontramos várias pessoas de diferentes idades com vários problemas de saúde”, diz o ambientalista.
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