Brasil e EUA iniciam negociações após visita de Lula à Casa Branca; países discutem acordos e tarifas alvo de críticas americanas


O governo brasileiro avaliou como positiva a primeira conversa com representantes dos Estados Unidos após a visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) à Casa Branca, no início deste mês.
Segundo o ministro do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, houve na última terça-feira (19) uma reunião por videoconferência entre ele e o secretário de Comércio dos EUA, Jamieson Greer, além das equipes técnicas dos dois países.
De acordo com o ministro, a avaliação do encontro foi “excelente”. Segundo Elias Rosa, Lula orientou os negociadores brasileiros a buscarem compromissos concretos do lado americano nas tratativas comerciais. As propostas do Brasil, no entanto, ainda não foram apresentadas formalmente.
A estratégia definida entre os dois governos é avançar em acordos específicos, negociados ponto a ponto, em vez de tentar fechar um grande e único acordo comercial amplo de uma só vez.
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Elias Rosa afirmou ainda que essas negociações não interferem na investigação comercial aberta pelos Estados Unidos com base na chamada Seção 301, tema que continua sendo conduzido pelo Itamaraty.
Entenda o que está em discussão
A reunião ocorre em meio aos questionamentos do governo americano sobre tarifas e barreiras comerciais adotadas pelo Brasil em alguns setores da economia.
Durante a viagem do presidente brasileiro aos Estados Unidos, Lula e Trump acertaram que as equipes técnicas dos dois países iniciariam conversas para apresentar, em até 30 dias, alternativas e possíveis soluções para os dois governos.
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Ricardo Stuckert/PR via BBC
Os questionamentos fazem parte de uma ofensiva comercial mais ampla dos Estados Unidos, que atingiu diversos países após o chamado “tarifaço” anunciado pelo governo americano.
Entre os pontos levantados pelos EUA estão tarifas consideradas elevadas para produtos industriais e de tecnologia, além de críticas a regras comerciais brasileiras em setores estratégicos, como aço, alumínio e etanol.
O governo americano argumenta que algumas medidas dificultam a entrada de produtos estrangeiros no mercado brasileiro e reduzem a competitividade de exportadores americanos.
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