
Na família Bolsonaro tem ao menos uma pessoa que anda rindo à toa ao ver o filho primogênito do ex-presidente se enroscar no arame farpado do Banco Master na largada da corrida ao Planalto.
Em um evento em Brasília, Michelle Bolsonaro foi perguntada sobre o que achava as andanças reveladas de um dos enteados com Daniel Vorcaro.
Menos do que a resposta, chama a atenção o sorriso que abriu a primeira-dama.
Ela poderia fazer como outros colegas de legenda, que lambuzaram o rosto de óleo de peroba e foram às câmeras dizer, sem corar, que não tem problema nenhum um senador da República pedir dinheiro a um banqueiro investigado para rodar um filme sobre o pai.
É o que qualquer parente faria numa situação como essa.
Michelle, não. Ela nem se arriscou a colocar a mão no fogo por Flávio. Saiu pela tangente quase rindo. E ainda mandou o repórter perguntar ao Flávio o que o Flávio achava disso tudo.
A ex-primeira-dama não deve ser a única que mal contém a euforia com o noticiário.
Na fila de ex-aliados que foram escanteados pelos filhos de Jair, o hoje deputado e postulante a pré-candidato a senador Ricardo Salles já mede as roupas do defunto enquanto ele agoniza em praça pública.
Segundo ele, Michelle tem tudo para liderar uma candidatura presidencial que finalmente empolgasse os eleitores. “Foi vislumbrada, inclusive esses dias, uma eventual composição de uma chapa pura feminina da (ex-ministra da Agricultura de Bolsonaro, atualmente senadora pelo PP-MS) Tereza Cristina e Michelle”, disse ele, em entrevista à BBC Brasil.
“É uma chapa forte, sem dúvida alguma. Eu teria a simpatia de apoiar”, afirmou.
Outro que deve estar sorrindo por dentro é Tarcísio de Freitas (Republicanos). Não sem a amargura de saber que o escândalo foi detonado pouco mais de um mês após a data-limite para se desincompatibilizar do cargo e disputar a sucessão presidencial.
Michelle não tem as mesmas amarras. Está na pista prontinha para ser abatida pelos enteados e o próprio marido, que não quer ouvir falar nessa possibilidade.
No abraço dos conflitos familiares, é ela, pelo meno, quem ri por último.
