Nove “cérebros” e três corações: veja como vivem os polvos

Braços do polvo conseguem reagir e explorar o ambiente quase sozinhosSerena Repice Lentini/Unsplash

Diferente da maioria dos animais que possuem um único cérebro, algumas espécies evoluíram de forma diferente. Pesquisas recentes mostram que os polvos possuem nove “cérebros”, três corações e sangue azul.

Segundo Jon Ablett, responsável pela coleção de cefalópodes do Museu de História Natural de Londres, nos vertebrados, o cérebro central concentra a maior parte do controle do corpo todo. Já nos polvos, os braços, as ventosas e os circuitos nervosos também participam das decisões.

Cefalópodes e vertebrados compartilharam um ancestral comum há milhões de anos, mas seguiram caminhos evolutivos diferentes. Nos polvos, a proporção entre o cérebro e o corpo é a maior entre todos os invertebrados. Mesmo comparando com os vertebrados, essa proporção ainda é maior do que a de muitas espécies, embora não do que a de mamíferos.

Sistema nervoso distribuído ajuda o polvo a controlar os oito braçosDiane Picchiottino/Unsplash

Cerca de dois terços dos aproximadamente 500 milhões de neurônios desses moluscos ficam distribuídos pelos oito braços, e não apenas no cérebro central.

Essa disposição permite que os braços realizem movimentos, percebam texturas e reajam ao ambiente de forma quase independente.

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Como funcionam os “nove cérebros”

A ideia de que o polvo tem nove cérebros é uma maneira simplificada de explicar seu sistema nervoso. O animal possui um cérebro principal, responsável por aprendizado, memória, visão e coordenação do comportamento, enquanto cada braço tem estruturas chamadas gânglios, que funcionam como pequenos centros de comando.

Ventosas sentem texturas e identificam substâncias ao toqueDear Sunflower/Unsplash

Um estudo publicado em 2025 na revista Bioelectronic Medicine revelou que braços isolados de polvos ainda conseguiam gerar sinais elétricos e responder rapidamente a estímulos. O resultado mostra que parte das decisões dos movimentos acontece diretamente nos “cérebros” desses braços.

Pesquisadores também descobriram, em estudo publicado em 2025 na revista Nature Communications, que o centro nervoso de cada braço é dividido em partes iguais. Isso permite que diferentes regiões do mesmo membro realizem funções diferentes ao mesmo tempo.

Na prática, enquanto uma parte do braço se prende a uma rocha, a outra pode explorar uma fenda, por exemplo.

Animal possui sangue azul por usar uma proteína rica em cobreVlad Tchompalov/Unsplash

As ventosas também desempenham mais funções do que apenas aderir às superfícies. Elas conseguem sentir texturas e identificar substâncias químicas, motivo pelo qual muitas pessoas dizem que os polvos “provam” o mundo com os braços.

O motivo do sangue azul

Além do sistema nervoso diferente, o polvo possui três corações. Dois deles bombeiam sangue para as brânquias, onde acontece a absorção do oxigênio. Enquanto isso, um terceiro envia o sangue oxigenado para o restante do corpo.

O sangue, por sua vez, é azul porque o animal utiliza hemocianina, uma proteína à base de cobre, em vez da hemoglobina, que contém ferro e dá a cor vermelha ao sangue humano.

Segundo o Museu de História Natural de Londres, a hemocianina funciona melhor em águas frias e com pouco oxigênio. Quando perde oxigênio, o sangue do polvo volta a ficar mais claro.

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