
Lampião.
Reprodução/Globo Repórter
O cangaço é brasileiro!
Esse é um ponto que une historiadores, pesquisadores, e sertanejos apaixonados que acreditam que um movimento que só ocorreu no Brasil, merece estudo e dedicação.
Por isso a pauta sugerida pela Repórter Bianka Carvalho, da Globo Recife, arrebatou o desejo do Globo Repórter de embarcar em uma viagem histórica, ouvindo estudiosos do tema, como o pesquisador e artesão Tássio Sereno. Ele conta que Lampião sabia manejar o fuzil e a tesoura também – e era um ótimo costureiro.
“Costureiro só não, eu digo que ele era um ótimo artesão em tudo. Porque ele tanto sabia mexer com o couro, como ele sabia mexer com tecido, ele sabia bordar, sabia costurar, ele fazia os bornais pra ele. Para aqueles que faziam parte da guarda dele, e todos os subchefes do grupo tinham que saber costurar e bordar. Se não soubesse, não tinha como ser um chefe do subgrupo.”
O que muitos consideram uma contradição marcou o cangaço e seus integrantes.
O Globo Repórter também investigou também a presença da mulher do cangaço.
Expedita Ferreira, filha única de Maria Bonita e Lampião.
Reprodução/Globo Repórter
Muitas foram raptadas por cangaceiros e outras se apaixonaram pelo estilo de vida deles e decidiram fugir para o cangaço. Mas fugiam de quê?
Os pesquisadores dizem que elas fugiam da vida sem perspectiva que era oferecida pela sociedade pastoril do sertão em 1920.
Não estudavam, obedeciam ordens e ajudavam em casa. Sequer podiam sair à rua.
O pesquisador Manuel Severo conta as condições em que viviam essas meninas sertanejas:
“Muitas meninas, mocinhas, algumas entraram no cangaço com 11, 12 anos. Viviam numa sociedade patriarcal, carente de tudo, podadas até no seu pensamento. Então, ao perceberem aqueles verdadeiros guerreiros das caatingas, homens que detinham o poder da vida e da morte do sertanejo, como eram os cangaceiros, elas ficavam encantadas. Mas era uma pseudoliberdade.
O cangaço não permitia liberdade. O cangaço era sem volta. Se uma companheira perde o companheiro, por alguma circunstância ou em combate, ela obrigatoriamente precisava arranjar outro companheiro dentro do grupo, porque a ela não era permitido voltar para a sua família. Por quê? Porque conheciam os segredos, sabiam os principais esconderijos. Então, no momento em que uma mocinha dessa, uma senhorita dessa, seria capturada pelas forças do Estado, no momento de tortura, iriam entregar tudo.
Então, essa era, na verdade, a liberdade que elas imaginavam possuir. O que, na verdade, não acontecia.”
O pesquisador ressalta ainda que a morte de Lampião, Maria Bonita e os outros nove cangaceiros que morreram na Grota de Angico despertou interesse no Brasil e no exterior.
“Nenhum jornal brasileiro deixou de citar a morte de Lampião em suas capas. Jornais da França, o Paris Soir estampa na sua capa, o jornal argentino, New York Times relata a morte de Lampião. É um tema de interesse mundial.”
Segundo o Pesquisador Manoel Severo, Lampião é um dos personagens mais biografados do Brasil e, na América Latina, só Che Guevara teve mais biografias publicadas.
Expedita Ferreira, filha única de Maria Bonita e Lampião.
Reprodução/Globo Repórter
