
A estreia do filme “Dark Horse” pode ser adiada nos cinemas do Brasil. O filme, que ilustra a trajetória política de Jair Bolsonaro, entrou no centro de disputas políticas e jurídicas, desde que o filho do ex-presidente, o senador Flávio Bolsonaro (PL), pré-candidato a presidente da República, teve áudio vazado, na semana passada, cobrando dinheiro para o filme, do dono do Banco Master, Daniel Vorcaro.
O deputado federal Rogério Correia (PT) e o grupo Prerrogativas, composto de juristas e advogados, requerem ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e à Procuradoria-Geral da República (PGR) que a exibição do audiovisual seja proibida até que sejam concluídas as investigações sobre a origem dos recursos utilizados.
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Eles argumentam que o lançamento do longa que está previsto para estrear em período muito próximo da votação das eleições nacionais (4 de outubro) e que isso configuraria propaganda antecipada ou abuso de poder econômico. O filme está com data de estréia para 11 de setembro de 2026.
Além disso, os parlamentares apresentaram aos órgãos Judiciários, na terça-feira (19), pedido de abertura de investigação sobre o custeio do filme.
Segundo a representação, o objetivo é esclarecer a origem dos valores investidos em Dark Horse. Eles levantam a possibilidade de crimes de lavagens de dinheiro, fraude cambial, falsidade documental, evasão de divisas, dentre outros.
Onde tudo começou
O movimento foi impulsionado após o vazamento de mensagens de aúdio entre o filho do ex-mandatário e senador Flávio Bolsonaro com Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, que é apontado como um dos investidores do filme autobiográfico.

Vorcaro está preso, suspeito de envolvimento em fraude bancária. A ligação dos dois tornou-se polêmica pública após as conversas privadas indicarem uma relação para além dos negócios, com reuniões mantidas em segredo, encontros e visita após prisão preventiva, gerando desgaste agudo à imagem do senador e sua pré-candidatura a cadeira presidencial.
Do cinema para os tribunais
Simultaneamente, o Supremo Tribunal Federal (STF) analisa uma investigação preliminar sobre suposto desvio de emendas parlamentares em benefício de organizações ligadas à produção.
A averiguação do Judiciário foi provocada pela deputada Tabata Amaral (PSB), que em seu requerimento questiona repasses públicos do grupo político, dentre eles o Partido Liberal (PL), no qual integra além do senador Flávio Bolsonaro, o deputado federal Mário Frias (PL) que atua como produtor executivo e roteirista do filme e o ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL), que está ligado à gestão financeira do projeto.
As defesas do senador e do deputado Mario Frias sustentam que não há anomalias no uso de verbas e cita que há pareceres da Advocacia da Câmara atestando a legalidade dos atos.
Representantes ligados à produção do filme negam também o uso de dinheiro público e defendem que é uma obra cinematográfica privada e sem contexto eleitoral direto.
O longametragem
O longa reúne uma série de conflitos como questionamentos quanto a valor exponencial de R$ 134 milhões investidos na produção e origem do dinheiro e em contrapartida, denúncias de atrasos salariais, irregularidades trabalhistas, agressões e até assédio de profissionais que trabalharam no filme.
Dentro da esfera eleitoreira, “Dark Horse” é apontado como propaganda eleitoral antecipada do Flávio Bolsonaro, que estaria usando a produção para impulsionar a campanha eleitoral.
