Pesquisa em Fernando de Noronha explica por que tubarões têm dois órgãos sexuais


Tubarões são estudados em Fernando de Noronha
Bruno Galvão/Acervo pessoal
Pesquisadores da Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE) estudam, em Fernando de Noronha, o comportamento reprodutivo dos tubarões. O trabalho é realizado pelo projeto Ecotuba e investiga o funcionamento dos órgãos reprodutores desses animais.
Os estudiosos explicam, entre outros pontos, por que os tubarões machos possuem dois órgãos reprodutores, chamados cláspers, que ficam rígidos durante toda a fase adulta e são usados no acasalamento.
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Segundo os pesquisadores, o órgão sexual duplo aumenta as chances de reprodução dos animais.
A especialista em reprodução de tubarões e raias, Mariana Rêgo, estuda o tema há 26 anos e explicou como funciona o processo.
“No ato sexual, o macho morde e segura a fêmea enquanto utiliza um clásper. Às vezes, a fêmea consegue escapar e o sêmen é desperdiçado. Então, o tubarão volta a morder e usa o outro clásper para garantir a fecundação”, explicou.
Tubarão tem dois cláspers, que são o órgão sexual
Projeto Ecotuba/UFRPE
Quem é o pai?
As fêmeas costumam copular com vários machos durante o período reprodutivo. Por isso, nem sempre é possível identificar o pai dos filhotes.
“Muitas vezes, os filhotes têm pais diferentes porque a fêmea copula com vários machos. Em uma mesma gestação, pode haver filhotes de mais de um pai”, afirmou a pesquisadora.
Coleta de sêmen
Estudo em Fernando de Noronha investiga reprodução dos tubarões
Em Fernando de Noronha, Mariana Rêgo também participa das capturas realizadas para coleta e análise do sêmen dos tubarões (veja vídeo acima).
“Nós usamos uma seringa e uma sonda para retirar o sêmen. Durante a captura, o macho fica agitado e, muitas vezes, conseguimos fazer a coleta apenas manipulando o clásper”, contou.
A coleta do material ajuda os pesquisadores a entender melhor a saúde e a reprodução dos tubarões em Fernando de Noronha.
“Nós analisamos a qualidade do sêmen e quais espermatozoides têm mais chances de reprodução. Também investigamos a presença de microplásticos nos animais para avaliar a saúde dos oceanos”, explicou Mariana Rêgo.
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Tamanho do órgão
O órgão reprodutor de um tubarão adulto, com cerca de cinco metros de comprimento, pode chegar a 50 centímetros. Segundo os pesquisadores, porém, o tamanho não garante o sucesso da reprodução.
“O clásper alcança apenas parte do útero da fêmea. Depois disso, o espermatozoide ainda precisa percorrer uma longa distância até encontrar o óvulo”, explicou Mariana Rêgo.
O estudo é realizado há dois anos em Fernando de Noronha. Os pesquisadores ainda analisam o material coletado durante as capturas. O projeto Ecotuba executa pesquisas e monitoramento de tubarões na ilha há 13 anos.
Pesquisadores fazem coleta de material nos tubarões em Noronha
Projeto Ecotuba/UFRPE
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